terça-feira, 27 de setembro de 2011

Folhas ao ventos

Folhas ao Vento

Um dia como tantos outros, o sol moderado, o céu cinzento, pássaros em silêncio como em silêncio foi o meu dia. Olhei para fora percebi o vento gelado, e no parque ao alcance dos meus olhos vagando, descortinei uma folha que o vento pouco a pouco rolava de lá para cá ou em ziguezague. Dei alguns passos e apanhei a tal folha, observei atentamente e num lance de quase acaso, descubro algo mais forte, mais substancial que uma simples folha. Tentei justificar naquelas entranhas a presença de uma força atuante. Meu olhar insistentemente vagueava em cada fibra daquela insignificante folha de uma manhã onde eu nada pensava-, talvez movido pelo desejo de descobrir algo que me falasse ao coração. Descubro uma força estranha me impulsionando na busca de Deus. Ali Ele estava numa simples folha que o vento rolava.
É dessa forma que devemos caminhar com o coração em busca de algo sustentável, para que possamos descobrir a paz que nos motive para ver a beleza da natureza.
Vá! Descubra Deus nas mínimas coisas da vida. No desabrochar de uma flor, no suspiro do seu coração, no choro ou riso de uma criança, que a distância, passa no colo ou em passos moderados de mãos dadas com a mãe.
Sinta a presença uni potente daquele que nos confia os compromissos de um mundo melhor.
Nas folhas que o vento rola, nas nuvens que encobrem o sol, ou nas mãos que acenam,acalme os seus sentimentos, debuxe na tela do universo a sua bandeira de paz e deixe-a tremular com os dizeres do amor, se possível reverenciando o Cristo em sua companhia, abordando o diálogo Dele com a mulher samaritana à beira do poço de Jacob. Permita-se beber da fonte viva dos seus ensinos de luz, quando instruiu a respeito da parábola das virgens que prudentemente foram à festa do noivo (como era costume antigamente) levando o azeite para suas luzernas,a fim de recepcionar os nubentes.
Todos nós carregamos no bojo de nossas almas as mais variadas inseguranças ou indisposições do dia a dia, momentos de desânimo, ou ainda incertezas e alguns vazios em nossos pensamentos. Por isso ocupe sua mente com uma simples folha que o vento açoita e revira. Olhe para ela com o desejo de descobrir o que lhe falta naqueles momentos indecisos. Imagine Deus, embora invisível e presente-, no presente de uma folha caída. É como ouvir o ruído das ondas do mar açoitando o rochedo onde a vida pulsa num simples impulso das vagas tão lembradas pelo poeta Lusitano Luiz de Camões.

26/09/2011
Manoel Resende

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O CANTAR DAS MARITACAS

O QUE FAZ-, O CANTAR DAS MARITACAS

Empoleirado nos galhos que acordam-, ao sopro da primavera, as maritacas nos seus cantos que não passam de alaridos, começam saudar a nova estação na sua exuberância.Os cantos desencontrados expressam uma alegria auspiciosa, cores variadas, como se um Michelangelo, retornasse ao nosso plano terreno, e aqui, não mais se intoxicasse com as venenosas tintas, mas abusaria da sua irreverência debuxando telas deslumbrantes.

            Diante da sua exuberância criadora, pássaros do infinito pousariam para que o seu olhar fotografasse, e na retina do seu aguçado sentido não só as cores viessem à tona, mas a pureza de sentimento
         Descubram nos seus imaginários, as paisagens que lhes fortalecem o coração às vezes aturdido por sentimentos impróprios. Quase sempre os raios do entardecer ficam saturados de energias e poluentes físicos ou mentais alavancando o cansaço, destemperando os sentimentos tão ricamente sonhados, mas que acabam não se realizando.
         Deus na sua onipotência e benevolência concede a cada um de nós o livre-arbítrio para escolher os momentos de reflexões, onde a alma saturada das teias do mundo possa descansar na foz dos rios dos sonhos entre as maritacas  
         Afirme para você, eu posso descansar em verdes rios sob a sombra dos arbustos da minha fé e caminhar decididamente amparado pelo cantar mavioso das aves do céu, ou embalado na sonoridade dos corais celestiais.
         Pergunte ao seu coração inquieto, fale com ele, levante a sua cabeça, observe as aves nos seus vôos, nem que não haja maritacas, mas sua alma desperta contemplará novo entardecer ou nova revoada de sentimentos lhe trazendo paz e felicidade.
         Agradeça a Deus por mais um dia, por mais um entardecer ou simplesmente lance um olhar na imensidão dos seus olhos mentais sentindo a felicidade plena de um Zaqueu que sobre um sicômoro silenciosamente via Jesus andar em direção a sua casa, abençoando lá os que renovam o coração para ao canto das aves em seus ninhos.