Folhas ao Vento
Um dia como tantos outros, o sol moderado, o céu cinzento, pássaros em silêncio como em silêncio foi o meu dia. Olhei para fora percebi o vento gelado, e no parque ao alcance dos meus olhos vagando, descortinei uma folha que o vento pouco a pouco rolava de lá para cá ou em ziguezague. Dei alguns passos e apanhei a tal folha, observei atentamente e num lance de quase acaso, descubro algo mais forte, mais substancial que uma simples folha. Tentei justificar naquelas entranhas a presença de uma força atuante. Meu olhar insistentemente vagueava em cada fibra daquela insignificante folha de uma manhã onde eu nada pensava-, talvez movido pelo desejo de descobrir algo que me falasse ao coração. Descubro uma força estranha me impulsionando na busca de Deus. Ali Ele estava numa simples folha que o vento rolava.
É dessa forma que devemos caminhar com o coração em busca de algo sustentável, para que possamos descobrir a paz que nos motive para ver a beleza da natureza.
Vá! Descubra Deus nas mínimas coisas da vida. No desabrochar de uma flor, no suspiro do seu coração, no choro ou riso de uma criança, que a distância, passa no colo ou em passos moderados de mãos dadas com a mãe.
Sinta a presença uni potente daquele que nos confia os compromissos de um mundo melhor.
Nas folhas que o vento rola, nas nuvens que encobrem o sol, ou nas mãos que acenam,acalme os seus sentimentos, debuxe na tela do universo a sua bandeira de paz e deixe-a tremular com os dizeres do amor, se possível reverenciando o Cristo em sua companhia, abordando o diálogo Dele com a mulher samaritana à beira do poço de Jacob. Permita-se beber da fonte viva dos seus ensinos de luz, quando instruiu a respeito da parábola das virgens que prudentemente foram à festa do noivo (como era costume antigamente) levando o azeite para suas luzernas,a fim de recepcionar os nubentes.
Todos nós carregamos no bojo de nossas almas as mais variadas inseguranças ou indisposições do dia a dia, momentos de desânimo, ou ainda incertezas e alguns vazios em nossos pensamentos. Por isso ocupe sua mente com uma simples folha que o vento açoita e revira. Olhe para ela com o desejo de descobrir o que lhe falta naqueles momentos indecisos. Imagine Deus, embora invisível e presente-, no presente de uma folha caída. É como ouvir o ruído das ondas do mar açoitando o rochedo onde a vida pulsa num simples impulso das vagas tão lembradas pelo poeta Lusitano Luiz de Camões.
26/09/2011
Manoel Resende