Chuva em meu Caminho
Hoje está chovendo, você não canta, pássaros estão em silêncio como silenciosa deveria ser a mente aturdida por desencantos emocionais. Minúsculos animais ou mesmo o coaxar dos que saltitam da terra molhada pararam para cantar glórias ao Senhor.
Seus olhos visitaram o horizonte e belas lágrimas descem dos céus num encanto orquestrado de amor. Chuvas encantadoras retiraram os miasmas pestilentos da nossa atmosfera, você respirou melhor, o ribombar dos trovões prenunciam um ritmo diferenciado, convidando-o a cantar também.
Enquanto isso, no altar do seu coração observe as folhas e flores, sinta o quanto é belo o contato com a chuva no seu balét primaveril, o diálogo sublimado da inspiração que desabrocha no coração do poeta que aguça o olhar na imensidão do infinito e genuflexo conclama a Deus o correr dos pingos na vidraça enfeitada de formas e cores
Ah! Melodia celeste, conquanto sou grato por tamanha bondade. Só te peço Senhor, que nas floradas dos cafezais, ou nos casebres de telhas velhas e rotas, o homem não receba na proporção dos seus mesquinhos comportamentos. Que os bueiros das cidades estejam desobstruídos, com também os seus olhos onde a doçura do mel ou o doce da cana alimenta o seu físico e o seu coração desatento.
Reveja nos livros históricos do velho testamento a persistência de Moisés nas lutas pela libertação do seu povo, não discuta se Noé fez ou não a arca, busque apenas a força da fé para impulsionar sua vida. Dedilhe a lira imaginária do seu coração e descubra o quanto é belo os sons diferenciados da vida.
Hoje está chovendo e o sol tímido começa enxugar a terra. Talvez seus olhos não consigam ver flores se abrindo, ou mesmo o “milagre” da criação.
Arme para o seu coração a bela surpresa de ter onde repousar sua cabeça, um endereço para onde você vai todos os dias, ou mesmo no bailar do vapor do leite quente no seu bule de todos os dias. E deixe que a chuva chegue com a paz que pedimos e merecemos.
26/10/2011
Manoel Resende