Ao
sopro orvalhado de uma manhã primaveril,
O Ypê
roxo, deixava cair mansamente suas flores,
Sobre
o chão empoeirado, um tapete colorido formava uma paisagem. Pétalas perfumadas e
um homem ajoelhado em reverência...
O silêncio
era quase total,- carros passavam, e
aquele ser abria os braços expondo suas
roupas puídas. Joelhos a mostra sobre pétalas
arroxeadas que embalava sua alma numa sentida oração.
Parei
silenciosamente acompanhando o culto
ecumênico, pois
Deus
estava ali, naquele círculo de flores trapejantes.
Ventanas
expunham reposteiros de luz...quais mímicas de um artista indiferentes aos que
por ali passavam.
Movido
por um sentimento extasiado, pus-me a conversar com o meu coração, a procurar um
pincel para debuxar tamanha criação Divina.
Flores
acoitadas pelo vento descreviam no ar um poema de luz.
Suspirei
lentamente buscando o artista daquela manhã, e na primeira inspiração me veio a
lembrança de Jesus, ao sopé de uma montanha
falando das Bem Aventuranças aos
mansos... E aquele transeunte era a pomba da paz daquela extasiante manhã de
felicidade. Lá estava o YPÊ que descrevo em letras maiúsculas, pois assim
colocarei no altar da vida. Motivos e olhares atentos almas sedentas da oração do amanhecer quando proferida
numa sonoridade silenciosa: Deus,... Que o meu olhar retenha em minha alma a
dádiva celestial desse alvorecer, e que outros momentos sejam facultados a
todos, principalmente aquele irmão que silenciosamente admirava e te
reverenciava envolto nas flores que o solitário YPÊ enfeitava... AMEM...
29/10/2012
Manoel
Resende