quinta-feira, 1 de novembro de 2012

VISÃO DE UMA MANHÃ




Ao sopro orvalhado de uma manhã primaveril,
O Ypê roxo, deixava cair mansamente suas flores,
Sobre o chão empoeirado, um tapete colorido formava uma paisagem. Pétalas perfumadas e um  homem ajoelhado em reverência...
O silêncio era quase  total,- carros passavam, e aquele ser abria os braços  expondo suas roupas puídas.  Joelhos a mostra sobre pétalas arroxeadas  que embalava  sua alma numa sentida oração.
Parei  silenciosamente acompanhando o culto ecumênico, pois
Deus estava ali, naquele círculo de flores trapejantes.
Ventanas expunham reposteiros de luz...quais mímicas de um artista indiferentes aos que por ali passavam.
Movido por um sentimento extasiado, pus-me a conversar com o meu coração, a procurar um pincel para debuxar tamanha criação Divina.
Flores acoitadas pelo vento descreviam no ar um poema de luz.
Suspirei lentamente buscando o artista daquela manhã, e na primeira inspiração me veio a lembrança de Jesus, ao sopé de uma montanha  falando das Bem Aventuranças  aos mansos... E aquele transeunte era a pomba da paz daquela extasiante manhã de felicidade. Lá estava o YPÊ que descrevo em letras maiúsculas, pois assim colocarei no altar da vida. Motivos e olhares atentos  almas sedentas da oração do amanhecer quando proferida numa sonoridade silenciosa: Deus,... Que o meu olhar retenha em minha alma a dádiva celestial desse alvorecer, e que outros momentos sejam facultados a todos, principalmente aquele irmão que silenciosamente admirava e te reverenciava envolto nas flores que o solitário YPÊ enfeitava... AMEM...

29/10/2012

Manoel Resende 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Procurando Deus


PROCURANDO DEUS
Aos clamores do dia a dia, repetidamente formam-se os sons que me invadem a alma. Naturalmente tento espargir alguns pensamentos e não encontro motivos para proferi-los. Ao gotejar da chuva intermitente, paro no tempo- buscando a inspiração em suaves pensamentos que me invadem o coração anestesiado pelas avalanches de ideias volitando em meu cérebro, quais centelhas aonde o amor se transforma num elo de luz.
            Deixo-me embalar por entre meus delírios para encontrar Deus na imensidão do Universo. Pergunto exaustivamente, Deus está dentro de mim? Ah! Não é possível, o Criador não está somente dentro de um ser que ainda transita amargurado e sem rumo. Meu cérebro ainda carece de conhecimentos que preciso descobrir. Sinto que o amor Divino se espalha também por entre os charcos do Universo, pelo interior do meu corpo físico, ou pelas entranhas daqueles que passam pela vida latanhados pelas desditas colhidas nos destroços da existência.
            Sinto Deus, no ar que respiro ou nos bosques onde os ninhos das aves são misturados aos galhos que o vento balança numa simbiose de relevante sabedoria, ou ainda no sugar do leite pelos filhotes dependentes, ou ainda no coração de uma mãe,... Vislumbrando o olhar do seu querido filho transtornado por tempestades passageiras, - sinto Deus, nos caminhos onde José segurava uma rédea e uma jovem senhora com o ventre em expansão sobre o dorso de um pequeno animal que tropeçava nos cascalhos de uma íngreme manifestação da natureza e o causticante calor fazia-os sedentos, desencadeando um torpor pela luz do sol de um dia inesquecível.
            Maria, serenamente sorria ante a esperança de ser mãe do rebento que transformaria homens, mulheres e crianças, e iria conceder-lhes esperanças várias para um mundo melhor. José,... Caminhava lentamente, buscando chegar ao logradouro onde a luz transparecia divinal entre os arbustos do caminho. Ao sopro do entardecer onde o clarão do dia começava a recolher-se, surgiam transeuntes que desconheciam que ali, envolvido de amor, transitava A Luminosidade sorvendo os nutrientes que o orbe aguardava...No horizonte estrelas surgiam consolidando  o fora anunciado pelo profeta da fé...
Manoel Resende

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Convite

Convite


Uma luz, - Esperança renovada... Dois mil e doze chegou. Parece que foi ontem que o mundo comemorou a chagada do homem à lua. Havia uma euforia na busca do infinito. As viagens continuam. Os desafios se agigantam e o seres criado à semelhança, não semelhança física, mas, - espiritual por que Deus é Espírito, continuam suas trajetória de  novas  vitórias  sedentas para beberem do néctar da liberdade, de buscar novos rumos para vôos mais ousados.
Renovar, recomeçar ou reiniciar, não importa, importa buscar esperança, gratidão a Deus por mais uma etapa desenvolvida ou planejada nos palcos da vida, criando em cada cena uma luz de sabedoria que possa dependurada na parede, ou no teto, servir para que outros se beneficiem. Nada de pensar em tragédias ou hipóteses, sustente em seu coração o mais alto galardão de amor. Ame, ame incessantemente, viaje por entre os sulcos do seu cérebro e sinta quão grande é pensar positivamente.
Descubra Deus no orvalho das noites de reflexões, descubra Deus no contato da flor e do inseto, descubra Deus nos espinhos das espécies que se apresentam nos palcos da vida. Descubra Deus nos rochedos que escondem o por do sol ou descubra Deus no fluir do seu sangue atravessando veias e artérias.
Alegre seu coração com o mais valioso presente, - viver... Viver sabiamente, não se prendendo aos descaminhos naturais.
Jesus em seu mais harmonioso Sermão afirmou: Bem- Aventurados os mansos e pacíficos, Bem-Aventurados àqueles que sofrem, por que serão consolados. E assim o mestre exemplificou o seu amor aos povos que Bem-Aventurados se deixam transitar pelas veredas da vida empunhando a bandeira da honestidade deixando-a trapejar livremente quais os varais do poeta do morro, “nossas roupas nos varais dependuradas/quais bandeiras agitadas/pareciam um estranho festival/festa dos nossos trapos coloridos... 
Descubra os caminhos da liberdade que alivia o sono, os caminhos que facilitam o viver em plena era de inauditas viagens pelos espaços do Universo físico e do seu mundo a progredir com os valores do Espírito.
28/12/011
Manoel  Resende

sábado, 10 de dezembro de 2011

Tamborilar da chuva

Manhã de dezembro, alguns pingos de molhavam meus cabelos rareados. Elevando os pensamentos ao Pai da vida, senti uma emoção muito forte, desejei cantar a música Sertão de Caicó, onde a mariazinha/ botou flores/ na janela /vestiu um vestido branco/véu e flores na capela. Ao som dessa poesia, expandi o meu peito e cantarolei baixinho num momento de felicidade ao sentir o tamborilar da chuva sobre a minha cabeça. Penetrei numa porta que há trinta e dois anos senti  imenso prazer de transpor aquele retângulo com alguns momentos de alegria como se fosse a porta estreita relatada por um homem que andava descalço, lá;-na palestina.
Prazerosamente, não consiste a vida no comer, no vestir, ou desfrutar dos artefatos que a sociedade industrial criou, mas, descobrir nos prazeres da existência os momentos de felicidade. Aprender a amar considerando que todos somos filhos do Altíssimo e que nenhum prazer efêmero é maior que sentir alegria em nossos momentos de reflexões. Foi assim como fez o Apóstolo pescador, que aceitou envolvido de profunda emoção quando o galo cantou três vezes, possivelmente o seu angustiado coração desabrochasse naquele momento onde os sons penetraram-lhe na alma impulsionando para a grande missão. Assim também ocorreu com Maria de Nazaré quando sentiu em seu ventre os movimentos de um menino que seria reverenciado por Reis e estrelas que cintilavam no céu numa avalanche de luz. As manjedouras recolhidas no fundo do estábulo transformavam-se em luzes que não somos capazes de quantificar.
Sua vestes, rasgadas sob o ódio do Sinédrio, não exemplificava que ali, sob um corpo lanhado, estava o Filho de Deus, olhos altivos, cabelos cobrindo os azulados olhos de perdão, e profunda compaixão daqueles que lhe açoitavam
A subida do monte caveira transportando uma peça lavrada por um irmão de profissão do seu pai, pesava em seus ombros dilacerados.
Assim, pergunte a você,- quando Jesus entrou no seu coração?...

09/12/2011
            Manoel Resende

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Filho de Maria

Filho de Maria
Mais um Natal se aproxima. Dentre tantos que já vivi, sinto-me calcinado pelos valores que mancham a passagem dessa data para o mundo cristão.
Pessoas enoveladas pela data tornam-se truculentas, desatentas aos sabores da vida pendendo apenas para o lado dos sentimentos materiais.
Torna-se preciso buscar na literatura do Nascimento Do Filho de Deus, de que por mais aquinhoado ou pobre que sejam os cristãos, estão muitos deles,  esquecidos dos mais nobres sentimentos da beleza espiritual que foi o nascimento do Menino de Maria.
Sua mãe angelical desfraldou a bandeira da humildade para receber em seus braços o Divino mestre que tanto amamos. Às vezes nos perguntamos, teria sido Jesus um menino que brincava com gravetos ou algum pedaço de corda, ou até mesmo com os dedos sujos de terra sobre os lábios para ouvir o som da sua voz, ou talvez engatinhar com um joelho levemente suspenso, pés descalços e manto roto. Talvez alguns não consigam avaliar os seus gestos, as suas primeiras palavras, ou muito menos o quanto foi gratificante para o nosso orbe a sua bendita vinda. Jesus que habita nos corações daqueles que buscam a verdade. Teria sido uma criança feliz, ou ingênua, ou apenas mais uma criança? O que na verdade ocorreu foi que possivelmente diferenciada, sua vida tenha sido um hino amparado por anjos celestiais da mesma falange, para suportar as turbulências de um mundo de falhas morais, onde ele aprendeu ao tornar-se Jovenzinho para ensinar os doutores da velha lei. Teria ele nadado nas águas do Rio Jordão, ou aprendido de Maria os caminhos redentores da alma? Possivelmente era uma criança diferente, seu olhar era manso, suas ações estavam vinculadas ao velho pai que manejava a enxó, o trado, ou talvez o rude serrote no inabalável desejo de aprender a arte da embrionária carpintaria. O Filho do carpinteiro teve uma infância abastada nos conhecimentos celestiais. Sua glória não era a de perambular pelas ruas poeirentas de Nazaré e sim a de tornar-se o mais angelical dos meninos da sua idade e como tal, possivelmente, - já discriminado pelo seu jeito, e pelo semblante angelical tal qual O Apóstolo João, fala em seu Evangelho, Ele era o Verbo e o Verbo estava com Deus...
Considerando todas essas nuances resta-nos meditar profundamente que o Natal deveria ser de louvor para o menino que se tornou homem, mas, que habita no coração daqueles que conseguem entender o Natal...
Manoel Resende 22/11/11


sábado, 12 de novembro de 2011

Alma das Flores

Alma das Flores

Hoje, inseri na tela mental milhares de flores caídas em frente a uma residência, não sei se que espécie era se caiu de uma de um ipê, ou sibipiruna. O importante não foi ver flores, o importante foi observar a quantidade que atraía olhares curiosos. Eram da cor rosa, milhares forravam o chão onde aparentemente parecia que ali dormiam, e que os que por ali passavam desviavam para não pisá-las, pois pareciam astros distraídos que mansamente invadiam os olhares mesmo que desatentos. Falei comigo e com o meu anjo guardião, (minha esposa) que do meu lado concordou em desviar o carro para não machucá-las. Todavia, elas permaneciam na minha memória como um presente de Deus.
Observar o mundo ao seu redor, “analisar tudo e reter somente o bem”, tonifica o coração nas andanças da vida. Foi assim com o Apóstolo convertido na estrada de Damasco, a ele devemos as interpretações da caridade.
As flores que enfeitavam uma manhã de sol, mais se pareciam com um tapete nos salões de festas. Estas não mereciam ser pisadas nem varridas, deveriam ali ficar para enriquecer os corações atentos e que suspiram ao toque divinal  da natureza. Pena é que os olhares desatentos não conseguem extrair uma fragrância sutil embalando  à alma entre os chamamentos do Pai Celestial. Talvez alguém me julgue um visionário, porem eu preciso debuxar uma tela com os mais coloridos pensamentos para que o meu leitor possa alimentar seu coração com os antídotos que a natureza nos fornece.
Vou denominar esse trabalho como alma das flores para que eu possa com elas conversar todas as vezes que me sentir cabisbaixo ou desatento as coisas que o nosso Criador nos oferece cada vez que aguçamos o olhar para enxergar o bem.
Não desejo influenciar pessoas, somente formar um vaso admirável pelo seu conteúdo contendo as flores mais coloridas e os mais significativos motivos para observar o mundo em suas variadas manifestações.
Seja você um atento observador e descobrirá que há motivos bons para aliviar as tensões da vida e descobrir os brilhantes mais valiosos, dependendo  exclusivamente em observá-los mesmo entre os cascalhos.