sábado, 10 de dezembro de 2011

Tamborilar da chuva

Manhã de dezembro, alguns pingos de molhavam meus cabelos rareados. Elevando os pensamentos ao Pai da vida, senti uma emoção muito forte, desejei cantar a música Sertão de Caicó, onde a mariazinha/ botou flores/ na janela /vestiu um vestido branco/véu e flores na capela. Ao som dessa poesia, expandi o meu peito e cantarolei baixinho num momento de felicidade ao sentir o tamborilar da chuva sobre a minha cabeça. Penetrei numa porta que há trinta e dois anos senti  imenso prazer de transpor aquele retângulo com alguns momentos de alegria como se fosse a porta estreita relatada por um homem que andava descalço, lá;-na palestina.
Prazerosamente, não consiste a vida no comer, no vestir, ou desfrutar dos artefatos que a sociedade industrial criou, mas, descobrir nos prazeres da existência os momentos de felicidade. Aprender a amar considerando que todos somos filhos do Altíssimo e que nenhum prazer efêmero é maior que sentir alegria em nossos momentos de reflexões. Foi assim como fez o Apóstolo pescador, que aceitou envolvido de profunda emoção quando o galo cantou três vezes, possivelmente o seu angustiado coração desabrochasse naquele momento onde os sons penetraram-lhe na alma impulsionando para a grande missão. Assim também ocorreu com Maria de Nazaré quando sentiu em seu ventre os movimentos de um menino que seria reverenciado por Reis e estrelas que cintilavam no céu numa avalanche de luz. As manjedouras recolhidas no fundo do estábulo transformavam-se em luzes que não somos capazes de quantificar.
Sua vestes, rasgadas sob o ódio do Sinédrio, não exemplificava que ali, sob um corpo lanhado, estava o Filho de Deus, olhos altivos, cabelos cobrindo os azulados olhos de perdão, e profunda compaixão daqueles que lhe açoitavam
A subida do monte caveira transportando uma peça lavrada por um irmão de profissão do seu pai, pesava em seus ombros dilacerados.
Assim, pergunte a você,- quando Jesus entrou no seu coração?...

09/12/2011
            Manoel Resende

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