sábado, 30 de julho de 2011

Tua Presença

TUA PRESENÇA

Nesta manhã banhada de luz, antevejo tua presença;
Qual dourado pincel à debuxar na tela do infinito..., o amor;
Olho para os campos, Tua essência me  ensina e seduz;
Os galhos ressequidos no final da primavera motiva-me a ver-te, quais mãos postas a reverenciar-te
Ou  no  sorriso de uma criança descalça e quase nua;
Vejo-te entre gritos, ou entre os clamores de mera ousadia;
Em tudo vejo que estás -, sem aos menos te ver presente...
Ou entre os livros manchados que passaram de mão em mão;
Ou ainda , no cantar dos pássaros no toque do entardecer,
Vejo-te no pão que me alimenta e no bule quente de todas as manhãs;
Sinto-o na nuvens que vagueiam ao sopro divinal; 
Ou no vento que varre as folhas caídas, a procura da fonte;
Ou no homem sábio que junta- as e vai umedecendo-as com o suor do rosto;
Vejo-te Senhor...  nos campos verdejantes onde a brisa é mansa  e calma;
Ou no trote do quadrúpede transportando uma mãe aflita;
Ou ainda nos cascalhos que deixavam os pés lanhados de um
um velho carpinteiro;
Por tudo isso, sinto Tua presença na imensidão do ar que respiramos;
Ou no grito da ave que em vôos rasantes  apanha a presa;
Ou ainda por entre as entranhas  do meu incansável coração.


30/07/011
Manoel Resende

Tua Preseença

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Elegia de um Guerreiro

Elegia de Um Guerreiro

Saulo...tua túnica manchada torna-se o manto da noite fria;
Suas convicções... fieis ao sinédrio,  de horror vão surgindo;
Debuxando na tela do horror, sua vã, e torpe ousadia;
No sol , na chuva , ao vento  sem rumo – ,divagando  em triste agonia;
Seguistes em lutas.... fieis as leis que tanto estudastes...
Teu porte de atleta, em bigas  entalhadas por hábeis artesãos;
Servia-te  de status,  entre  o sonho e o prazer, ou talvez ilusões;
Nas lidas com os livros, pensavas por  extravagantes caminhos;
Até que um dia;... da torpe jornada, procuravas o nada e nada encontrastes;
Intrépidas visões  maceravam tua alma de dor e de pranto.;
Abigail ...teu encanto-, de deusa menina com  amor te saudava; sem ver  nos teus olhos o brilho esperado...
Na casa do caminho; ouves de Estevão um hino de amor;  que mal entendestes...
Saístes ofegante, o coração fibrilando sem poder respirar ;
Colhestes em cartas, um salvo –conduta para saldar tua dor;
Nas noites vazias, ao som do chicote , fostes o feroz feitor...
Dos pobres famintos , ao zunir  do chanfalho...em corpos lanhados , vertendo o vermelho ... nos becos da dor...
Tua alma teimosa quais espinhos latentes; ferindo os cristãos...
No centro da praça-, em meio as tormentas das pedras atiradas;
Num corpo desnudo , olhar no horizonte em forma de luz...
Estêvão dizia, entre os dentes quebrados , o corpo ferido e um aceno de amor,” não lhe imputes esta pena... querido Senhor”!
Uma voz feminina em prantos ardentes ,ante o sol escaldante
estalando o chão.
Dos lábios da deusa, ao Saulo dizendo...Esse... ,é o meu querido irmão...

Manoel Resende
17/07/2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

AQUELE QUE SEGUE

Sou aquele que segue apesar das tristezas e lutas;
Sou o passo que apressa e tem  pressa em chegar;
Sou o sonho dos dias nos dias que passam;
Sou franco e leal nas lidas da vida e alem muito mais;
Sou o timbre do sino percorrendo os caminhos;
Sou a ponta do galho ao peso do  pássaro;
Sou o mais ousado a buscar-te por toda parte;
Sou a gota de orvalho a escorrer pelo caule;
Sou da terra que brota a semente adubada;
Sou riacho que chora ao encontro do mar;
Sou a onda bendita que quebra na praia em noite de lua;
Sou o remo que verga na força do impulso  por calosas mãos;
Sou o vento que passa agitando as pandas que o sol desbotou;
Sou forte ante o  avanço da colheita das flores  na primavera;
Sou o que te reverencio ao sabor do vento em contida oração;
Sou fera ferida dormindo ao relento dominando os instintos;
Sou pó de madeira que ao sopro do vento se esvai no alem;
Sou  eu a brandir a enxó, no rumo do prumo, que  alisa e apruma;
Sou ave fagueira chilrando pro bando no anoitecer;
Sou o pé da brauna  onde alinho o ninho da ave canora;
Sou a sombra infinita que ao som da gaivota  rever o albatroz;
Sou eu enfim-; que viceja os versos-, na fonte reversa do amor e de luz;
Sou eu que te peço em prantos e preces... ;o teu cajado ...Jesus

14/07/011
Manoel Resende



quinta-feira, 7 de julho de 2011

poesia sempre

Meus poemas são meus cantos aos raiar de novo dia;
Meus versos são meus encantos nos  vários cantos da vida;
Que me embalam nas manhãs; ou mesmo ao cair da tarde...
Simbiose de sentimentos nos lances que a vida oferece...
São pétalas despetaladas que a vida rouba de nós;
Libertadas dos espinhos pontiagudos e traiçoeiros;
Meus poemas são minhas lágrimas; no ribombar de muitas lutas;
São pautas de muitas laudas nas caminhadas da vida;
São raios de luz me guiando num mar de ondas amigas;
Meus versos sobre poemas retemperam minha jornada;
Nos cantos da minha sala; onde o sol brilha de amor;
Quando estou versejando meu coração vai amando
Os que de mim se aproximam;
É como a flor amarela pintada de lindas listras;
Flor silvestre, flor do campo, ou coração de leão;
Orquídeas em taça de vinho feita por Deus com fervor;
Que oferto a que eu amo nestes versos de amor e luz;
Nessa troca de palavras feitinhas dos versos meus;
É o canto que me encanta quando canto em silêncio;                                                     
Revendo na minha mente os mais sagrados momentos;
Meus poemas são meus cantos...
Meus versos são meus encantos...
São pérolas que Deus me Deu...

06/07/2011
Manoel Resende

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Canto da Alma

Sentado..., braços cruzados, mente distante a procura do nada...
Assim deixo que meus pensamentos volitem pelo meu mundo;
Olho o céu a procura de algumas palavras, vejo o sol da manhã;
A beira do caminho, sinto Jesus trabalhando, horas...minutos...e segundos;
Eis que os Teus pés são feitos de luz neste plano de oração...
Onde minha alma desponta nessa imensa caminhada;
Sinto que viajo nas ondas dos imagináveis  clarins do amanhecer;
Ou mesmo nos lampejos de uma fria madrugada;
Percebo tua presença; em meu suspiro de alegria; onde busco o Teu Olhar, na imensidão do universo;
Ou mesmo no sorriso ingênuo da criança ou nos versos de profunda harmonia..
Sinto  no gesto do ancião que vagueia  de pés descalços um tênue pedido por uma côdea de pão; Juntando  folhas ao vento; ou nos cantos das ruas entre lutas que de vão;
Silêncio... ouço aves canoras  de galho em galho anunciando o despertar;
Pasmo; genuflexo...,  de olhar para o alto em sentida oração;
Suspiro a Buscar-te em toda parte...nessa simbiose de ousadia;
Ou na profunda manhã de reflexão;
Meu olhar vagueia por toda parte...nas flores orvalhadas da manhã...ou  na junção das palavras da sublime Ave Maria...
Vejo-te no sorriso desdentado do homem sábio que perambula pela ruas;
Ou ainda nos riachos que deságuam junto ao mar... ou no despertar de mais um dia.

23/06/2010


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Senso de organização
            O senso de organização, o tino comercial e a pouca ganância fez do meu pai o mais generoso comerciante que eu conheci. Vendia fiado, não recebia e continuava vendendo, penalizado do miserável. Seus métodos anticomerciais o levaram à falência. Não uma falência fraudulenta. Simplesmente não conseguia equilibrar as contas. Pagou fornecedores e vendeu mais uma vez os seus pertences.
Eu já contava catorze anos, e mais seis irmãos, sentia na pele o desespero deles e ainda mais destinholado fiquei quando tomei conhecimento que viríamos para São Paulo. Eu já namorava, tinha uma colega de escola que me fazia soluçar a alma. Menina mimosa, jeito fiel, morávamos na mesma rua, filha de socialista, família de amigos nossos. Recebiamos pequenas mesadas para irmos ao circo, ao cinema, aos parques, nas épocas do Natal, Ano Novo, festas juninas e outras que já não lembro. Aos domingos não íamos à missa. Todavia ainda ouço o badalar do sino da igreja chamando os fieis, o repicar projetava sons que incendiavam a alma parecia festival a céu aberto. Os namorados estremeciam as fibras dos corações que a pulsar de amor manifestavam-se, suspirando sentimentos inenarráveis.
O olhar na imensidão do infinito despertava o meu sonho de um jovem que desejava ser padre, mas que percebia o coração ferver todas as vezes que Norma, minha primeira namorada, passava carregando um punhado de livros, era uma deusa em forma de menina.
Não foram poucas às vezes em que, deslumbrado com a sua presença, acompanhava com o olhar os seus passos ritmados e cheios de encanto, sacudindo areia na roda do seu vestido.
Lembranças de uma infância sadia, repleta de atos que somente a vida é capaz de nos ofertar.
Não vivo dependente desses momentos, todavia a lembrança deles me conduz aos estágios das recordações, movendo minha vida, alimentando-me de saudades de um povo sisudo, porém sincero, dos bares e dos cozidos de caranguejos, da conversa atinada e do clima ameno. Das ruas de areia branca e dos domínios quase medievais. Tudo isto é pouco para descrever a minha cidade, aquela que me fez compreender que os fortes vencerão as batalhas sempre com o sentimento de lealdade, como bandeiras trapejantes nos mastros da existência.
Meu pai, fortaleza em forma de pessoa, sensível aos sofrimentos de outrem porem, as impetuosidade dos seus atos custou-lhe vários desconfortos. Algumas vezes enfrentou desavenças inúmeras pelo seu jeito de nordestino que não levava desaforos para casa. Certa ocasião, um cliente queria um quilo de carne seca de uma manta nova exposta no local de venda, Ele recusou-se a atender porque a tal manta era para ser vendida no dia seguinte. Coisas das suas manias. Questionado pela minha mãe encontrava nele uma forte resistência, criando ainda mais obstáculos e perdas de clientes.
Talvez, movido por sentimentos exóticos deixava-se levar por ações descabidas em prejuízo do próprio negócio.
Nas manhãs, quando o sol beijava o morro de areia e ruas estreitas, surgiam por entre as pegadas que o vento não apagava, mulheres carregando sobre a cabeça protegida por ródias, vasilhas de mungunzá (canjica no sul)  vendendo as iguarias saborosas por preços irrisórios. Antes do almoço, lá pelas dez horas vinha um senhor escuro, cor de ébano, carregando um balaio cheio de camarões ainda vivos.
Lembro-me de um ato infantil do meu querido pai, quando mandou confeccionar três ternos para os filhos mais velhos, todos de uma mesa cor e estilo, vestimos porque não poderíamos ter a ousadia de afirmar que não havíamos gostado  e que nos sentíramos amuados. São histórias e uma vida.
Se hoje os filhos do seu Antônio e dona Maria colhem os frutos da lealdade e amor pelo trabalho devem aos dois. Eles foram luzes guiando-nos pelos caminhos da existência.
Minha mãe, aos noventa e cinco anos, ainda comanda suas ações de forma lúcida, parecendo uma  fornalha,  fornecendo energia para todos. Se o meu pai era a locomotiva, que sobre os trilhos da vida conduzia-nos aos caminhos do bem, Dona Maria era o combustível, alimentando-nos dos princípios redentores da trajetória de todos nós.
Devemos aos dois a felicidade do aprendizado, a seriedade o respeito para com todos.
Quando criança, eu; o mais velho- ajudava a pesar mercadorias dos mais variados tipos, aprendi fazer pacotes utilizando papel de embrulho, sentia prazer em ajudar aos meus pais.
Hoje, quando os meus cabelos rareados denunciam um período de maturidade, sinto alegria por um tempo que passou, mas que na minha memória está avivado, denunciando um período de riqueza espiritual.
Que bom seria compreender o mundo de agora carreando para os lares o sentimento de solidariedade sem os traumas da vida sem limites. Pobre sociedade, que pouco-a-pouco vai colhendo os frutos da modernidade sem ter nos recônditos da alma os valores cadenciados de uma era onde o respeito mesmo que amedrontador deixou marcas de amor.
Minha casa, onde eu vivia: Na frente era a mercearia (a bodega do seu Antonio) e nos fundos as várias dependências da moradia, que deixaram em meu ser as marcas de uma época recheada de histórias.
Lá, incrustada no morro do bairro de São Cristóvão, onde o sol e a brisa do mar prazerosamente beijavam as janelas sem vidros, eu e meus irmãos desfrutávamos do presente divino. A vida naquele lugar era um sonho em comparação ao período em que vivíamos na roça.
Pena que o meu pai não era um verdadeiro empreendedor. Sua grande aventura como comerciante era apenas a sobrevivência. A capacidade de organização não lhe concedeu os conhecimentos necessários para um crescimento sustentável.
Ainda tenho saudades das tardes após as obrigações escolares, os jogos de botões, a bola de meia, o  bailar das pipas sob o céu azul e o vento generoso. Do pião feito de goiabeira e das castanhas de caju utilizadas como moedas de apostas. Coisas de crianças, parecendo jovens ou adultos.
Quem não viveu esses momentos não conseguem avaliar o quanto eram saudáveis essas brincadeiras.   
Comparações com os dias de hoje não são possíveis era outra época, outra forma de viver, e a sociedade ainda não estava contaminada pelo vírus da informática.
Lá se foi minha infância, lá se foi uma parte da minha vida recheada de sentimentos que o tempo não apagou e que manteve o sabor de saudades. 
Enquanto escrevo estes relatos volto ao passado, vejo no espelho as marcas do tempo, entretanto sinto na alma os benefícios de uma existência onde os doces das frutas da região deixaram o néctar sublime incrustado em nossas memórias como lembranças de um viver feliz.
                                                                                             
Falar das coisas da vida
Com sentimentos de ternura
Faz crescer o ser para Deus.


Mudança para São Paulo                                     

Chegado o dia da partida, eu, Nilton e o meu pai, enfrentamos doze dias sobre um velho caminhão apinhado de gente. Que loucura!  Muitas estradas de terra e o Estado de Minas Gerais sinuoso, vegetação verde, campos repletos de café, fartura da lavoura rica e promissora. O sol abrasador castigava a lona velha e furada, o calor era infernal, as paradas para tomarmos as refeições eram sujas, os sanitários mais pareciam pocilgas. O caminhão, um Chevrolet cara de sapo com os degraus do inferno (não acredito na sua existência), e os sacolejos, deixavam marcas de dor, era uma aventura quase endemoniada. Que absurdo! Mas era assim que eu pensava.
Nosso destino era a terra da garoa. Compensava o sacrifício. O pouco tempo que nos separava da terra querida e das pessoas eram por demais doloridos. As conversas giravam em torno dos que lá ficaram. Saudades começavam desabrochar em nossas almas, o coração aos borbotões fazia-nos sentir o rosto suado e empoeirado absorver as lágrimas da separação.
Chegamos mais mortos do que vivos. Fomos morar em Santo André. Era mês de novembro, não tínhamos roupa de frio, nem acomodações que pudessem nos abrigar decentemente. Tomamos um susto maior que os solavancos e perigos enfrentados das poeirentas estradas e daquele caminhão miseravelmente velho.
 A saudade de casa, da nossa casa lá no alto do morro da Rua São Cristóvão, da minha namorada Norma, tudo isso se transformava em dores mentais. Olhava o chão, começava a distanciar o pensamento e via escrito naquela terra estranha um que de enigma e saudade que, pouco a pouco, mortificava a alma. Fechava os olhos para não ver o que a mente escrevia naquele espaço. Via outra gente, gente diferente, fala complicada, uma mistura de português com espanhol e outras mais. Continuava pensando.
- Aonde eu vim parar?
Desconfiado, segui adiante, arranjei um trabalho de trocador nos ônibus da Empresa Nossa Senhora Aparecida, do empresário Emílio Guerra. Meu tio e Padrinho Pedro me ajudou.
Naquele tempo, em mil novecentos e cinqüenta e dois, fazia frio, eu trocava o dinheiro dos passageiros e estes decentemente colocavam dentro de uma urna com uma pequena abertura o valor correspondente à passagem, todos faziam isso. Bons tempos. Fomos trabalhando, lutando, o Nilton foi trabalhar numa metalúrgica, fabrica de fechaduras Fama e lá ficou durante quase trinta anos. Meu pai era frentista de um posto de gasolina, e ao chegar à casa minha mãe, que posteriormente viera de avião com os meus demais irmãos, aquecia os pés do nosso velho com pano embebido com água quente.
O Paulo foi engraxar sapatos. Estudou no SENAI tornando-se torneiro mecânico. Tudo isso passamos com heroísmo. Eu me transformei em ajudante de cozinha, depois de passar por tecelagens. Finalmente o meu já velho pai conseguiu um emprego de gerente de uma padaria no largo Treze de Maio, Panificadora 15. A vida melhorava, papai sabia ler, era bom de matemática. Dedicado ao trabalho, ganhou de presente uma casa com quatro cômodos na Rua Intercap, na vila Arriete, onde conseguiu educar os demais filhos:Arnaldo,Djenal, Antonio (filho) e a Enilde.  
Parecia que o ar da metrópole paulista já havia conquistado aqueles nordestinos, sentíamos a brisa leve refrescante das noites, talvez nos aconselhando e embalando-nos nos seus movimentos de gigante brasileiro. Passamos a viver decentemente. Nossa moradia era simples, aconchegante e por isso muitas vezes presenciei os meus velhos verterem lágrimas de felicidades descerem pelas fendas nos rostos cansados. Suas mãos elevadas ao céu pareciam agradecer ao Criador as bênçãos recebidas.
Todos nós agíamos com objetivos únicos de habilmente conquistar esta cidade do planalto de Piratininga, terra de Anchieta berço da garoa e braços acolhedores.
A nossa juventude- fase chamada de adolescência- foi a mais tranqüila possível. Minha mãe e meu Pai nos encaminharam para o bem. Até então não tínhamos religião nenhuma, apenas a certeza de que havia uma força criadora a manejar este universo. Eu carregava dentro de mim uma convicção de que tudo possuía começo, meio e fim. Não aceitava essa história de fim do mundo mesmo porque até hoje aceito a idéia de que “Nada se perde e tudo se transforma”.
Morte, uma transformação!
                                       
            Viver ou morrer são duas vertentes da natureza, que, se encadeiam nos fenômenos da vida, como fatos naturais. Não é a morte mais que a vida e nem a vida mais que a morte tudo está em completa harmonia com o todo universal,
            Partindo do principio de que “Nada se perde, tudo se transforma.”(Lavosier)
Começo fazendo um esforço para entender por que morremos, por que ainda não entendemos o fenômeno da morte.
Não é possível compreender a morte sem avaliarmos as leis da natureza, nela encontrar-se-ão respostas mais que convincentes para sustentar a tese de que a morte verdadeiramente não existe.
            O homem não é uma criação à parte no universo, sua origem tal como a semente, nasce floresce morre nasce e renasce. O poema O Princípio de Manoel Resende diz: Da terra humosa e quente/ surge a vida onipresente isolada independente onde a célula irradia/ nova etapa da vida onde Deus está presente/ dando vida a outras vidas em perpétua harmonia.
            Se a natureza é uma transformação contínua concordar ou não com Lavosier é uma questão de reflexão.
            Primeiramente é preciso pesquisar a vida em todos os sentidos, nas folhas que caem, nos elementos transformadores da terra, na contribuição dos raios solares, e da bênção da água como fertilizadora das transformações dos seres vegetais e animais.
            Partindo do princípio de que a morte é um processo de transformação pela falta de vitalidade das células, sua mutação não poderá ser entendida como morte, porque na verdade não houve extermínio total, e sim uma mudança de estado “dando vida a outras vidas”
            O fenômeno da morte que amedronta tanto as pessoas, não é mais que uma forma seqüencial de vida. Não foi dito através do Velho Testamento que do barro viemos e à ele retornaremos? Não com a simplicidade aparente do  texto, porem compreendendo que nossa composição física faz parte dos elementos naturais do planeta. Estão todos contidos na tabela periódica dos elementos. È natural o receio da morte, todavia nascer morrer e renascer são fatos tão abordados e pouco compreendidos. Disse Sócrates: Todos irão morrer: eu, você, o meu filho, a minha mãe. Eu, porém, vos digo, sereis transformados em agentes da própria vida. Portanto não temo a morte porque morrer não é a morte.
20/09/009
Manoel Resende