sexta-feira, 26 de agosto de 2011


NA TUA PRESENÇA
Nesta manhã banhada de luz, antevejo tua presença;
Qual dourado pincel à debuxar na tela do infinito..., o amor;
Olho para os campos, Tua essência me  ensina e seduz;
Os galhos ressequidos antes da primavera motiva-me a ver-te, quais mãos postas a reverenciar-te;
Vejo-te no olhar ou no  sorriso de uma criança descalça e quase nua;
Ouço-te entre os gritos, ou entre os clamores dos que pereceram nas arenas...
Em tudo vejo que estás -, sem aos menos te ver presente...
Ou entre os livros manchados que passaram de mão em mão e não foram lidos;
Ou ainda , no cantar dos pássaros ou no toque do entardecer,
Vejo-te no pão que me alimenta e no bule quente de todas as manhãs;
Sinto-o na nuvens que vagueiam ao sopro divinal; 
Ou no vento que varre as folhas caídas, a procura da fonte;
Ou no homem sábio que junta- as e vai umedecendo-as com o suor do rosto;
Vejo-te Senhor...  nos campos verdejantes onde a brisa é mansa  e calma;
Ou no trote do quadrúpede transportando uma mãe de olhar sereno;
Ou ainda nos cascalhos que deixavam os pés lanhados de um
um velho carpinteiro;
Por tudo isso, sinto Tua presença na imensidão do ar que respiramos;
Ou no grito das aves que em vôos rasantes  apanham as presas;
Ou ainda por entre as entranhas  do meu incansável coração.
Por tudo isso eu te peço-, abençoe-nos ...Jesus

30/07/11  Manoel Resende


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Modo de Vida


Modo de vida

         Debruçado sobre a mesa do imaginário, descubro em minha alma que a loucura da vida é saber aproveitar o silêncio e as infindas reações da mente.
         Tamborilando cadenciadamente sobre a mesa de trabalho, vejo no infinito os motivos que alegram a vida; sinto-me criança... Conto os minutos...balbucio algumas notas musicais, e suspiro lentamente.
         Talvez a falta de inspiração me conduza a tais conclusões. Mesmo assim, continuo buscando o que fazer diante da vida.
         Mudo o foco da minha lente mental e descubro na natureza o ambiente de luz, a conversa silenciosa, pensamentos vagos, reflexão acentuada - a alquimia da vida.
                Quando os primeiros sinais de fogos anunciaram a passagem do ano Cristão, de dois mil e onze, fatos passados acumulados em minha mente, vieram à tona, qual cortiça presa no fundo do mar, quem sabe do náufrago. O Grumete.
             O “milagre” da transformação, ou simplesmente o rumo das coisas e dos seres, é algo inexplicável. Quando lembro das agonias vividas no período de extrema lacuna em meu coração, eu simplesmente os encobria através dos vários artifícios.            
             O Ano Novo chegando trazendo esperança, fazia-me repensar pausadamente em tudo o que eu precisava mudar na minha vida. 
         Totalizando pouco mais de sessenta dias da minha experiência quase morte, vislumbrei o momento de refletir nas minhas ações, nos meus costumes, nas minhas dúvidas, em fazer dieta e exercícios físicos. Isso me parecia coisa de Narcisismo. O que não era. Era apenas o orgulho que dilacerava minha alma que, ruidosamente justificava a fobia por compromissos rotulados de inadiáveis.
         Tracejei no livro da minha existência, um novo modo de viver. Sinto-me aliviado por finalmente descobrir que não bastava querer viver e sim vivenciar cada momento com a grandeza da alma.
         Ofereci a mim mesmo a oportunidade da descoberta de novos caminhos. passei a contemplar a natureza com maior intensidade, passei a conversar com os meus órgãos e sistemas, numa aparente demonstração de truncar o ranço do homem velho e descobrir novos mundos de felicidade e de paz.
          Horas doloridas e o mundo de incertezas não podem fazer de cada um de nós modelos de escravos, de perdedores e pessimistas
         Aos que carregam na alma o estigma do insubstituível, faz-se preciso ir em busca de ajuda, de novas ideias para não sustentar pontos de vista antagônicos com a vida.
         Quando Jesus estava se preparando para o grande lançamento da Boa Nova, procurou alternativas seguras para anunciar o Reino de Deus, com o salutar convite de transformar simples pescadores do lago de Genezaré em pescadores habilidosos de almas.
         Por vezes, descubro que somos eternos construtores de obras adornadas de privilégios e que somente nós conseguimos lançar projetos e ações.
         É preciso que o eu individual dê lugar ao eu coletivo, proporcionando maiores responsabilidades e expandindo oportunidades para aqueles que desejam crescer na vida.
         Assim agiam os apóstolos de Jesus. Não que eles não divergissem de algumas coisas. Entretanto, as regras do entendimento fazia-se presente.








segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sibipiruna


Sibipiruna

         Era o prenúncio da primavera. Folhas caídas eram sacudidas pelo vento. Em dado momento observava e contava algumas.
         Tentei, tentei... Concluí que não adiantava, porque mudavam de lugar. Falei com o vento, não me ouviu, olhei para a minha Sibipiruna; e lá estava ela - deixando cair sua roupagem amarela.
         Olhei para o alto procurando Deus, observei que outras árvores erguiam seus galhos a procurar o infinito, como se estivessem de mãos postas, agradecendo ao Pai. Perguntei a mim mesmo: Se a natureza se transforma numa simbiose de amor (?), por que sofremos com as nossas transformações? Não mudamos a pele, apenas trocamos de roupa; não mudamos o nosso falar, apenas não ouvimos a nossa voz; não sofremos a transmutação da lagarta, que se ajusta para fortalecer os seus membros, somos frágeis para mudanças e reclamamos quando precisamos mudar alguma coisa. Quando dormimos não estamos hibernando, quando sonhamos nem sempre  são sonhos agraciados pelo Criador, apenas alguns pesadelos, como se o mundo não obedecesse a uma sintonia da troca das folhas e das flores para despertar em novo tempo.
          Você reparou que sua vida não segue ao sabor das estações?, E que depende apenas da sua vontade, dos seus ideais, e dos valores que enriquecem sua alma? Não é assim com as plantas, elas obedecem a uma força invisível. E você somente acredita no que vê e às vezes nem assim...

Sibipiruna

sábado, 13 de agosto de 2011

Zé do Pijama

Zé do Pijama
         O Inverno daquele ano abrandava o sofrimento do sertanejo que, sossegadamente, debruçado na janela da casa de pau-a-pique, sentia o frescor da quase noite.
         Sobre um pequeno tamborete, o lampião de querosene soltava fumaça que se rendilhava no ar. A chama bailava ao sabor do vento, que passava por entre as frestas da parede. Lá fora, pingos de chuva intercalados formavam marcas no chão empoeirado. Alguns relâmpagos pareciam acender o pavio da terra, mas queimavam apenas os frutos jovens do cajueiro.
 Aparício, assim conhecido,sentia no rosto o frescor da chuva que se aproximava, avivando sua alma. Desfrutando daqueles momentos, espichava o pescoço, deixando molhar os cabelos amassados pelo chapéu de palha, pendurado detrás da porta.
Lá pelas tantas, quando o sono começava piscar os olhos, chega o compadre Zé, montado no seu preferido jumento. Tanto ele quanto o bicho, pareciam pintos na eira da casa. Chovia para ninguém botar defeito.
O compadre Aparício, observando aquela cena, penalizou-se do visitante, dando ordens  à sua mulher:
         -Ó Lucinha, apanha um pedaço de pano, para o nosso compadre se enxugar!
         O dono da casa um tanto preocupado, falou ao visitante:
         -Compadre! Por que vós mercê achou de sair bem no meio da chuva?
         -Meu compadre, vir aqui falar um pouco da vida é uma satisfação, mas a danada da chuva tão aguardada me pegou bem ali na porteira.
         -Pois bem Aparício - Já que você está aqui vamos comer carne do sol com manteiga de garrafa e um belo cuscuz.
.        Na cozinha, o fogão de lenha aquecia o ambiente, panelas fumegavam, o café borbulhava, o leite quente exalava no ar aroma de pureza.
         Lá pras bandas das dez horas o compadre ZÉ afrouxou o cinturão, botou o chapéu na cabeça e disse: Compadre Aparício, eu já me vou.
         - Compadre! A chuva está até passando pro riba da cacimba e você vai sair? Não, não. Vos mercê vai dormir aqui esta noite.
         -O casal preparou a rede para o visitante, que alegremente agradeceu e sumiu.
         Lá pela meia noite, a chuva açoitava o telhado. Aparício ouviu um toc-toc na porta da frente. Ainda deitado disse resmungando:
         - Que diabo está batendo na porta a estas horas?
         Levantou-se e perguntou já de facão na mão:
         - Quem é? Responde do outro lado uma voz até confusa:
         - Sou eu, compadre,o Zé !
         -Meu compadre Zé! O que o senhor está fazendo a estas horas debaixo      dessa chuva, homem de Deus?
         -Ué, o compadre não me convidou para dormir em sua casa?
         -Convidei, sim!
         -Então!
         - Fui buscar o meu pijama...