sábado, 13 de agosto de 2011

Zé do Pijama

Zé do Pijama
         O Inverno daquele ano abrandava o sofrimento do sertanejo que, sossegadamente, debruçado na janela da casa de pau-a-pique, sentia o frescor da quase noite.
         Sobre um pequeno tamborete, o lampião de querosene soltava fumaça que se rendilhava no ar. A chama bailava ao sabor do vento, que passava por entre as frestas da parede. Lá fora, pingos de chuva intercalados formavam marcas no chão empoeirado. Alguns relâmpagos pareciam acender o pavio da terra, mas queimavam apenas os frutos jovens do cajueiro.
 Aparício, assim conhecido,sentia no rosto o frescor da chuva que se aproximava, avivando sua alma. Desfrutando daqueles momentos, espichava o pescoço, deixando molhar os cabelos amassados pelo chapéu de palha, pendurado detrás da porta.
Lá pelas tantas, quando o sono começava piscar os olhos, chega o compadre Zé, montado no seu preferido jumento. Tanto ele quanto o bicho, pareciam pintos na eira da casa. Chovia para ninguém botar defeito.
O compadre Aparício, observando aquela cena, penalizou-se do visitante, dando ordens  à sua mulher:
         -Ó Lucinha, apanha um pedaço de pano, para o nosso compadre se enxugar!
         O dono da casa um tanto preocupado, falou ao visitante:
         -Compadre! Por que vós mercê achou de sair bem no meio da chuva?
         -Meu compadre, vir aqui falar um pouco da vida é uma satisfação, mas a danada da chuva tão aguardada me pegou bem ali na porteira.
         -Pois bem Aparício - Já que você está aqui vamos comer carne do sol com manteiga de garrafa e um belo cuscuz.
.        Na cozinha, o fogão de lenha aquecia o ambiente, panelas fumegavam, o café borbulhava, o leite quente exalava no ar aroma de pureza.
         Lá pras bandas das dez horas o compadre ZÉ afrouxou o cinturão, botou o chapéu na cabeça e disse: Compadre Aparício, eu já me vou.
         - Compadre! A chuva está até passando pro riba da cacimba e você vai sair? Não, não. Vos mercê vai dormir aqui esta noite.
         -O casal preparou a rede para o visitante, que alegremente agradeceu e sumiu.
         Lá pela meia noite, a chuva açoitava o telhado. Aparício ouviu um toc-toc na porta da frente. Ainda deitado disse resmungando:
         - Que diabo está batendo na porta a estas horas?
         Levantou-se e perguntou já de facão na mão:
         - Quem é? Responde do outro lado uma voz até confusa:
         - Sou eu, compadre,o Zé !
         -Meu compadre Zé! O que o senhor está fazendo a estas horas debaixo      dessa chuva, homem de Deus?
         -Ué, o compadre não me convidou para dormir em sua casa?
         -Convidei, sim!
         -Então!
         - Fui buscar o meu pijama...





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