Sibipiruna
Era o prenúncio da primavera. Folhas caídas eram sacudidas pelo vento. Em dado momento observava e contava algumas.
Tentei, tentei... Concluí que não adiantava, porque mudavam de lugar. Falei com o vento, não me ouviu, olhei para a minha Sibipiruna; e lá estava ela - deixando cair sua roupagem amarela.
Olhei para o alto procurando Deus, observei que outras árvores erguiam seus galhos a procurar o infinito, como se estivessem de mãos postas, agradecendo ao Pai. Perguntei a mim mesmo: Se a natureza se transforma numa simbiose de amor (?), por que sofremos com as nossas transformações? Não mudamos a pele, apenas trocamos de roupa; não mudamos o nosso falar, apenas não ouvimos a nossa voz; não sofremos a transmutação da lagarta, que se ajusta para fortalecer os seus membros, somos frágeis para mudanças e reclamamos quando precisamos mudar alguma coisa. Quando dormimos não estamos hibernando, quando sonhamos nem sempre são sonhos agraciados pelo Criador, apenas alguns pesadelos, como se o mundo não obedecesse a uma sintonia da troca das folhas e das flores para despertar em novo tempo.
Você reparou que sua vida não segue ao sabor das estações?, E que depende apenas da sua vontade, dos seus ideais, e dos valores que enriquecem sua alma? Não é assim com as plantas, elas obedecem a uma força invisível. E você somente acredita no que vê e às vezes nem assim...
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