segunda-feira, 27 de junho de 2011


                                      CHÃO DE MEMÓRIAS
O Nordeste
         O lugar onde nasci é pródigo em cultura agreste. Sertão pobre, solo ardente, sol abrasador, vegetação retorcida, formam as caatingas e o cenário de um povo forte, que enfrenta a vida cheia de aventuras, cujo sonho de ser feliz ferve na alma.
            Gente de fibra, aventureiros por natureza, coração fraterno combinado com a generosidade do Criador.
            O sertanejo é forte, esperançoso e crente da sua fé. Lembro-me de alguns de olhos azuis ou esverdeados, raízes da miscigenação de raças, cujas matrizes vêm dos exploradores e aventureiros do passado, que lhes negaram quase tudo.
            Holandeses, franceses e portugueses fincaram no rincão do Norte e Nordeste marcas cuja história é por demais sofrida e exposta em prosa e versos nas feiras, nos encontros de violeiros e repentistas. Têm nos seus expoentes culturais como Rachel de Queiroz, José de Alencar, Rui Barbosa, Castro Alves, Tobias Barreto e muito outr os  a chama viva de uma cultura que até hoje é  ícone de referência para quem ama sua terra.
            Divulgadores da história de um povo que sonha, ama, sofre e alimenta-se de esperanças. Traçaram com maestria, as elegias da minha gente sofrida, mas que purificaram a alma com o tônus da felicidade.
            Inúmeros nordestinos, fincados nas regiões do cerrado, calçando alpercatas de couro cru, seguem desafiando a própria natureza, suportando bravamente o calor sufocante e a subjugação do coronelismo perverso.
            Enfrentando as adversidades, escrevendo suas vidas sob o sol a pino e a terra gretada, encontrando o mote no sofrimento, conquistam na sensibilidade motivo para compor a vida entoando canções e poesias vindas do espírito aventureiro e, ainda assim, com emoção rica e farta de lirismo.
            Homens destemidos e ousados. Continuam desafiando leis. Até para nascer é uma bravura enfeitada de dores e dogmas.
            O amor do sertanejo parece o gosto do gato, que ama somente a casa e não o dono. O que não é verdade. O caboclo do Norte e Nordeste carrega no coração o espírito aventureiro, o amor a sua gente, a sua terra e aos seus costumes.
            O calor sobre os morros petrificados é o início de uma oração de clamor aos santos. Cactos e répteis, fazem daquele braseiro, o santuário para reprodução.
             Nas noites de lua cheia resplandece o clarão do amor, quais pétalas divinais convidando sonhadores para suas promessas e encantos.

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