quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Convite

Convite


Uma luz, - Esperança renovada... Dois mil e doze chegou. Parece que foi ontem que o mundo comemorou a chagada do homem à lua. Havia uma euforia na busca do infinito. As viagens continuam. Os desafios se agigantam e o seres criado à semelhança, não semelhança física, mas, - espiritual por que Deus é Espírito, continuam suas trajetória de  novas  vitórias  sedentas para beberem do néctar da liberdade, de buscar novos rumos para vôos mais ousados.
Renovar, recomeçar ou reiniciar, não importa, importa buscar esperança, gratidão a Deus por mais uma etapa desenvolvida ou planejada nos palcos da vida, criando em cada cena uma luz de sabedoria que possa dependurada na parede, ou no teto, servir para que outros se beneficiem. Nada de pensar em tragédias ou hipóteses, sustente em seu coração o mais alto galardão de amor. Ame, ame incessantemente, viaje por entre os sulcos do seu cérebro e sinta quão grande é pensar positivamente.
Descubra Deus no orvalho das noites de reflexões, descubra Deus no contato da flor e do inseto, descubra Deus nos espinhos das espécies que se apresentam nos palcos da vida. Descubra Deus nos rochedos que escondem o por do sol ou descubra Deus no fluir do seu sangue atravessando veias e artérias.
Alegre seu coração com o mais valioso presente, - viver... Viver sabiamente, não se prendendo aos descaminhos naturais.
Jesus em seu mais harmonioso Sermão afirmou: Bem- Aventurados os mansos e pacíficos, Bem-Aventurados àqueles que sofrem, por que serão consolados. E assim o mestre exemplificou o seu amor aos povos que Bem-Aventurados se deixam transitar pelas veredas da vida empunhando a bandeira da honestidade deixando-a trapejar livremente quais os varais do poeta do morro, “nossas roupas nos varais dependuradas/quais bandeiras agitadas/pareciam um estranho festival/festa dos nossos trapos coloridos... 
Descubra os caminhos da liberdade que alivia o sono, os caminhos que facilitam o viver em plena era de inauditas viagens pelos espaços do Universo físico e do seu mundo a progredir com os valores do Espírito.
28/12/011
Manoel  Resende

sábado, 10 de dezembro de 2011

Tamborilar da chuva

Manhã de dezembro, alguns pingos de molhavam meus cabelos rareados. Elevando os pensamentos ao Pai da vida, senti uma emoção muito forte, desejei cantar a música Sertão de Caicó, onde a mariazinha/ botou flores/ na janela /vestiu um vestido branco/véu e flores na capela. Ao som dessa poesia, expandi o meu peito e cantarolei baixinho num momento de felicidade ao sentir o tamborilar da chuva sobre a minha cabeça. Penetrei numa porta que há trinta e dois anos senti  imenso prazer de transpor aquele retângulo com alguns momentos de alegria como se fosse a porta estreita relatada por um homem que andava descalço, lá;-na palestina.
Prazerosamente, não consiste a vida no comer, no vestir, ou desfrutar dos artefatos que a sociedade industrial criou, mas, descobrir nos prazeres da existência os momentos de felicidade. Aprender a amar considerando que todos somos filhos do Altíssimo e que nenhum prazer efêmero é maior que sentir alegria em nossos momentos de reflexões. Foi assim como fez o Apóstolo pescador, que aceitou envolvido de profunda emoção quando o galo cantou três vezes, possivelmente o seu angustiado coração desabrochasse naquele momento onde os sons penetraram-lhe na alma impulsionando para a grande missão. Assim também ocorreu com Maria de Nazaré quando sentiu em seu ventre os movimentos de um menino que seria reverenciado por Reis e estrelas que cintilavam no céu numa avalanche de luz. As manjedouras recolhidas no fundo do estábulo transformavam-se em luzes que não somos capazes de quantificar.
Sua vestes, rasgadas sob o ódio do Sinédrio, não exemplificava que ali, sob um corpo lanhado, estava o Filho de Deus, olhos altivos, cabelos cobrindo os azulados olhos de perdão, e profunda compaixão daqueles que lhe açoitavam
A subida do monte caveira transportando uma peça lavrada por um irmão de profissão do seu pai, pesava em seus ombros dilacerados.
Assim, pergunte a você,- quando Jesus entrou no seu coração?...

09/12/2011
            Manoel Resende

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Filho de Maria

Filho de Maria
Mais um Natal se aproxima. Dentre tantos que já vivi, sinto-me calcinado pelos valores que mancham a passagem dessa data para o mundo cristão.
Pessoas enoveladas pela data tornam-se truculentas, desatentas aos sabores da vida pendendo apenas para o lado dos sentimentos materiais.
Torna-se preciso buscar na literatura do Nascimento Do Filho de Deus, de que por mais aquinhoado ou pobre que sejam os cristãos, estão muitos deles,  esquecidos dos mais nobres sentimentos da beleza espiritual que foi o nascimento do Menino de Maria.
Sua mãe angelical desfraldou a bandeira da humildade para receber em seus braços o Divino mestre que tanto amamos. Às vezes nos perguntamos, teria sido Jesus um menino que brincava com gravetos ou algum pedaço de corda, ou até mesmo com os dedos sujos de terra sobre os lábios para ouvir o som da sua voz, ou talvez engatinhar com um joelho levemente suspenso, pés descalços e manto roto. Talvez alguns não consigam avaliar os seus gestos, as suas primeiras palavras, ou muito menos o quanto foi gratificante para o nosso orbe a sua bendita vinda. Jesus que habita nos corações daqueles que buscam a verdade. Teria sido uma criança feliz, ou ingênua, ou apenas mais uma criança? O que na verdade ocorreu foi que possivelmente diferenciada, sua vida tenha sido um hino amparado por anjos celestiais da mesma falange, para suportar as turbulências de um mundo de falhas morais, onde ele aprendeu ao tornar-se Jovenzinho para ensinar os doutores da velha lei. Teria ele nadado nas águas do Rio Jordão, ou aprendido de Maria os caminhos redentores da alma? Possivelmente era uma criança diferente, seu olhar era manso, suas ações estavam vinculadas ao velho pai que manejava a enxó, o trado, ou talvez o rude serrote no inabalável desejo de aprender a arte da embrionária carpintaria. O Filho do carpinteiro teve uma infância abastada nos conhecimentos celestiais. Sua glória não era a de perambular pelas ruas poeirentas de Nazaré e sim a de tornar-se o mais angelical dos meninos da sua idade e como tal, possivelmente, - já discriminado pelo seu jeito, e pelo semblante angelical tal qual O Apóstolo João, fala em seu Evangelho, Ele era o Verbo e o Verbo estava com Deus...
Considerando todas essas nuances resta-nos meditar profundamente que o Natal deveria ser de louvor para o menino que se tornou homem, mas, que habita no coração daqueles que conseguem entender o Natal...
Manoel Resende 22/11/11


sábado, 12 de novembro de 2011

Alma das Flores

Alma das Flores

Hoje, inseri na tela mental milhares de flores caídas em frente a uma residência, não sei se que espécie era se caiu de uma de um ipê, ou sibipiruna. O importante não foi ver flores, o importante foi observar a quantidade que atraía olhares curiosos. Eram da cor rosa, milhares forravam o chão onde aparentemente parecia que ali dormiam, e que os que por ali passavam desviavam para não pisá-las, pois pareciam astros distraídos que mansamente invadiam os olhares mesmo que desatentos. Falei comigo e com o meu anjo guardião, (minha esposa) que do meu lado concordou em desviar o carro para não machucá-las. Todavia, elas permaneciam na minha memória como um presente de Deus.
Observar o mundo ao seu redor, “analisar tudo e reter somente o bem”, tonifica o coração nas andanças da vida. Foi assim com o Apóstolo convertido na estrada de Damasco, a ele devemos as interpretações da caridade.
As flores que enfeitavam uma manhã de sol, mais se pareciam com um tapete nos salões de festas. Estas não mereciam ser pisadas nem varridas, deveriam ali ficar para enriquecer os corações atentos e que suspiram ao toque divinal  da natureza. Pena é que os olhares desatentos não conseguem extrair uma fragrância sutil embalando  à alma entre os chamamentos do Pai Celestial. Talvez alguém me julgue um visionário, porem eu preciso debuxar uma tela com os mais coloridos pensamentos para que o meu leitor possa alimentar seu coração com os antídotos que a natureza nos fornece.
Vou denominar esse trabalho como alma das flores para que eu possa com elas conversar todas as vezes que me sentir cabisbaixo ou desatento as coisas que o nosso Criador nos oferece cada vez que aguçamos o olhar para enxergar o bem.
Não desejo influenciar pessoas, somente formar um vaso admirável pelo seu conteúdo contendo as flores mais coloridas e os mais significativos motivos para observar o mundo em suas variadas manifestações.
Seja você um atento observador e descobrirá que há motivos bons para aliviar as tensões da vida e descobrir os brilhantes mais valiosos, dependendo  exclusivamente em observá-los mesmo entre os cascalhos.

Alma das Flores

sábado, 29 de outubro de 2011

chuva em meucaminho

Chuva em meu Caminho

Hoje está chovendo, você não canta, pássaros estão em silêncio como silenciosa deveria ser a mente aturdida por desencantos emocionais. Minúsculos animais ou mesmo o coaxar dos que saltitam da terra molhada pararam para cantar glórias ao Senhor.
Seus olhos visitaram o horizonte e belas lágrimas descem dos céus num encanto orquestrado de amor. Chuvas encantadoras retiraram os miasmas pestilentos da nossa atmosfera, você respirou melhor, o ribombar dos trovões prenunciam um ritmo diferenciado, convidando-o a cantar também.
Enquanto isso, no altar do seu coração observe as folhas e flores, sinta o quanto é belo o contato com a chuva no seu balét  primaveril, o diálogo sublimado da inspiração que desabrocha no coração do poeta que aguça o olhar na imensidão do infinito e genuflexo conclama a Deus o correr dos pingos na vidraça enfeitada de formas e cores
            Ah! Melodia celeste, conquanto sou grato por tamanha bondade. Só te peço Senhor, que nas floradas dos cafezais, ou nos casebres de telhas velhas e rotas, o homem não receba na proporção dos seus mesquinhos comportamentos.        Que os bueiros das cidades estejam desobstruídos, com também os seus olhos onde a doçura do mel ou o doce da cana alimenta o seu físico e o seu coração desatento.
Reveja nos livros históricos do velho testamento a persistência de Moisés nas lutas pela libertação do seu povo, não discuta se Noé fez ou não a arca, busque apenas a força da fé para impulsionar sua vida. Dedilhe a lira imaginária do seu coração e descubra o quanto é belo os sons diferenciados da vida.
Hoje está chovendo e o sol tímido começa enxugar a terra. Talvez seus olhos não consigam ver flores se abrindo, ou mesmo o “milagre” da criação.
Arme para o seu coração a bela surpresa de ter onde repousar sua cabeça, um endereço para onde você vai todos os dias, ou mesmo no bailar do vapor do leite quente no seu bule de todos os dias.  E deixe que a chuva chegue com a paz que pedimos e merecemos.


26/10/2011
          Manoel Resende

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Folhas ao ventos

Folhas ao Vento

Um dia como tantos outros, o sol moderado, o céu cinzento, pássaros em silêncio como em silêncio foi o meu dia. Olhei para fora percebi o vento gelado, e no parque ao alcance dos meus olhos vagando, descortinei uma folha que o vento pouco a pouco rolava de lá para cá ou em ziguezague. Dei alguns passos e apanhei a tal folha, observei atentamente e num lance de quase acaso, descubro algo mais forte, mais substancial que uma simples folha. Tentei justificar naquelas entranhas a presença de uma força atuante. Meu olhar insistentemente vagueava em cada fibra daquela insignificante folha de uma manhã onde eu nada pensava-, talvez movido pelo desejo de descobrir algo que me falasse ao coração. Descubro uma força estranha me impulsionando na busca de Deus. Ali Ele estava numa simples folha que o vento rolava.
É dessa forma que devemos caminhar com o coração em busca de algo sustentável, para que possamos descobrir a paz que nos motive para ver a beleza da natureza.
Vá! Descubra Deus nas mínimas coisas da vida. No desabrochar de uma flor, no suspiro do seu coração, no choro ou riso de uma criança, que a distância, passa no colo ou em passos moderados de mãos dadas com a mãe.
Sinta a presença uni potente daquele que nos confia os compromissos de um mundo melhor.
Nas folhas que o vento rola, nas nuvens que encobrem o sol, ou nas mãos que acenam,acalme os seus sentimentos, debuxe na tela do universo a sua bandeira de paz e deixe-a tremular com os dizeres do amor, se possível reverenciando o Cristo em sua companhia, abordando o diálogo Dele com a mulher samaritana à beira do poço de Jacob. Permita-se beber da fonte viva dos seus ensinos de luz, quando instruiu a respeito da parábola das virgens que prudentemente foram à festa do noivo (como era costume antigamente) levando o azeite para suas luzernas,a fim de recepcionar os nubentes.
Todos nós carregamos no bojo de nossas almas as mais variadas inseguranças ou indisposições do dia a dia, momentos de desânimo, ou ainda incertezas e alguns vazios em nossos pensamentos. Por isso ocupe sua mente com uma simples folha que o vento açoita e revira. Olhe para ela com o desejo de descobrir o que lhe falta naqueles momentos indecisos. Imagine Deus, embora invisível e presente-, no presente de uma folha caída. É como ouvir o ruído das ondas do mar açoitando o rochedo onde a vida pulsa num simples impulso das vagas tão lembradas pelo poeta Lusitano Luiz de Camões.

26/09/2011
Manoel Resende

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O CANTAR DAS MARITACAS

O QUE FAZ-, O CANTAR DAS MARITACAS

Empoleirado nos galhos que acordam-, ao sopro da primavera, as maritacas nos seus cantos que não passam de alaridos, começam saudar a nova estação na sua exuberância.Os cantos desencontrados expressam uma alegria auspiciosa, cores variadas, como se um Michelangelo, retornasse ao nosso plano terreno, e aqui, não mais se intoxicasse com as venenosas tintas, mas abusaria da sua irreverência debuxando telas deslumbrantes.

            Diante da sua exuberância criadora, pássaros do infinito pousariam para que o seu olhar fotografasse, e na retina do seu aguçado sentido não só as cores viessem à tona, mas a pureza de sentimento
         Descubram nos seus imaginários, as paisagens que lhes fortalecem o coração às vezes aturdido por sentimentos impróprios. Quase sempre os raios do entardecer ficam saturados de energias e poluentes físicos ou mentais alavancando o cansaço, destemperando os sentimentos tão ricamente sonhados, mas que acabam não se realizando.
         Deus na sua onipotência e benevolência concede a cada um de nós o livre-arbítrio para escolher os momentos de reflexões, onde a alma saturada das teias do mundo possa descansar na foz dos rios dos sonhos entre as maritacas  
         Afirme para você, eu posso descansar em verdes rios sob a sombra dos arbustos da minha fé e caminhar decididamente amparado pelo cantar mavioso das aves do céu, ou embalado na sonoridade dos corais celestiais.
         Pergunte ao seu coração inquieto, fale com ele, levante a sua cabeça, observe as aves nos seus vôos, nem que não haja maritacas, mas sua alma desperta contemplará novo entardecer ou nova revoada de sentimentos lhe trazendo paz e felicidade.
         Agradeça a Deus por mais um dia, por mais um entardecer ou simplesmente lance um olhar na imensidão dos seus olhos mentais sentindo a felicidade plena de um Zaqueu que sobre um sicômoro silenciosamente via Jesus andar em direção a sua casa, abençoando lá os que renovam o coração para ao canto das aves em seus ninhos.
          

  

sexta-feira, 26 de agosto de 2011


NA TUA PRESENÇA
Nesta manhã banhada de luz, antevejo tua presença;
Qual dourado pincel à debuxar na tela do infinito..., o amor;
Olho para os campos, Tua essência me  ensina e seduz;
Os galhos ressequidos antes da primavera motiva-me a ver-te, quais mãos postas a reverenciar-te;
Vejo-te no olhar ou no  sorriso de uma criança descalça e quase nua;
Ouço-te entre os gritos, ou entre os clamores dos que pereceram nas arenas...
Em tudo vejo que estás -, sem aos menos te ver presente...
Ou entre os livros manchados que passaram de mão em mão e não foram lidos;
Ou ainda , no cantar dos pássaros ou no toque do entardecer,
Vejo-te no pão que me alimenta e no bule quente de todas as manhãs;
Sinto-o na nuvens que vagueiam ao sopro divinal; 
Ou no vento que varre as folhas caídas, a procura da fonte;
Ou no homem sábio que junta- as e vai umedecendo-as com o suor do rosto;
Vejo-te Senhor...  nos campos verdejantes onde a brisa é mansa  e calma;
Ou no trote do quadrúpede transportando uma mãe de olhar sereno;
Ou ainda nos cascalhos que deixavam os pés lanhados de um
um velho carpinteiro;
Por tudo isso, sinto Tua presença na imensidão do ar que respiramos;
Ou no grito das aves que em vôos rasantes  apanham as presas;
Ou ainda por entre as entranhas  do meu incansável coração.
Por tudo isso eu te peço-, abençoe-nos ...Jesus

30/07/11  Manoel Resende


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Modo de Vida


Modo de vida

         Debruçado sobre a mesa do imaginário, descubro em minha alma que a loucura da vida é saber aproveitar o silêncio e as infindas reações da mente.
         Tamborilando cadenciadamente sobre a mesa de trabalho, vejo no infinito os motivos que alegram a vida; sinto-me criança... Conto os minutos...balbucio algumas notas musicais, e suspiro lentamente.
         Talvez a falta de inspiração me conduza a tais conclusões. Mesmo assim, continuo buscando o que fazer diante da vida.
         Mudo o foco da minha lente mental e descubro na natureza o ambiente de luz, a conversa silenciosa, pensamentos vagos, reflexão acentuada - a alquimia da vida.
                Quando os primeiros sinais de fogos anunciaram a passagem do ano Cristão, de dois mil e onze, fatos passados acumulados em minha mente, vieram à tona, qual cortiça presa no fundo do mar, quem sabe do náufrago. O Grumete.
             O “milagre” da transformação, ou simplesmente o rumo das coisas e dos seres, é algo inexplicável. Quando lembro das agonias vividas no período de extrema lacuna em meu coração, eu simplesmente os encobria através dos vários artifícios.            
             O Ano Novo chegando trazendo esperança, fazia-me repensar pausadamente em tudo o que eu precisava mudar na minha vida. 
         Totalizando pouco mais de sessenta dias da minha experiência quase morte, vislumbrei o momento de refletir nas minhas ações, nos meus costumes, nas minhas dúvidas, em fazer dieta e exercícios físicos. Isso me parecia coisa de Narcisismo. O que não era. Era apenas o orgulho que dilacerava minha alma que, ruidosamente justificava a fobia por compromissos rotulados de inadiáveis.
         Tracejei no livro da minha existência, um novo modo de viver. Sinto-me aliviado por finalmente descobrir que não bastava querer viver e sim vivenciar cada momento com a grandeza da alma.
         Ofereci a mim mesmo a oportunidade da descoberta de novos caminhos. passei a contemplar a natureza com maior intensidade, passei a conversar com os meus órgãos e sistemas, numa aparente demonstração de truncar o ranço do homem velho e descobrir novos mundos de felicidade e de paz.
          Horas doloridas e o mundo de incertezas não podem fazer de cada um de nós modelos de escravos, de perdedores e pessimistas
         Aos que carregam na alma o estigma do insubstituível, faz-se preciso ir em busca de ajuda, de novas ideias para não sustentar pontos de vista antagônicos com a vida.
         Quando Jesus estava se preparando para o grande lançamento da Boa Nova, procurou alternativas seguras para anunciar o Reino de Deus, com o salutar convite de transformar simples pescadores do lago de Genezaré em pescadores habilidosos de almas.
         Por vezes, descubro que somos eternos construtores de obras adornadas de privilégios e que somente nós conseguimos lançar projetos e ações.
         É preciso que o eu individual dê lugar ao eu coletivo, proporcionando maiores responsabilidades e expandindo oportunidades para aqueles que desejam crescer na vida.
         Assim agiam os apóstolos de Jesus. Não que eles não divergissem de algumas coisas. Entretanto, as regras do entendimento fazia-se presente.








segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sibipiruna


Sibipiruna

         Era o prenúncio da primavera. Folhas caídas eram sacudidas pelo vento. Em dado momento observava e contava algumas.
         Tentei, tentei... Concluí que não adiantava, porque mudavam de lugar. Falei com o vento, não me ouviu, olhei para a minha Sibipiruna; e lá estava ela - deixando cair sua roupagem amarela.
         Olhei para o alto procurando Deus, observei que outras árvores erguiam seus galhos a procurar o infinito, como se estivessem de mãos postas, agradecendo ao Pai. Perguntei a mim mesmo: Se a natureza se transforma numa simbiose de amor (?), por que sofremos com as nossas transformações? Não mudamos a pele, apenas trocamos de roupa; não mudamos o nosso falar, apenas não ouvimos a nossa voz; não sofremos a transmutação da lagarta, que se ajusta para fortalecer os seus membros, somos frágeis para mudanças e reclamamos quando precisamos mudar alguma coisa. Quando dormimos não estamos hibernando, quando sonhamos nem sempre  são sonhos agraciados pelo Criador, apenas alguns pesadelos, como se o mundo não obedecesse a uma sintonia da troca das folhas e das flores para despertar em novo tempo.
          Você reparou que sua vida não segue ao sabor das estações?, E que depende apenas da sua vontade, dos seus ideais, e dos valores que enriquecem sua alma? Não é assim com as plantas, elas obedecem a uma força invisível. E você somente acredita no que vê e às vezes nem assim...

Sibipiruna

sábado, 13 de agosto de 2011

Zé do Pijama

Zé do Pijama
         O Inverno daquele ano abrandava o sofrimento do sertanejo que, sossegadamente, debruçado na janela da casa de pau-a-pique, sentia o frescor da quase noite.
         Sobre um pequeno tamborete, o lampião de querosene soltava fumaça que se rendilhava no ar. A chama bailava ao sabor do vento, que passava por entre as frestas da parede. Lá fora, pingos de chuva intercalados formavam marcas no chão empoeirado. Alguns relâmpagos pareciam acender o pavio da terra, mas queimavam apenas os frutos jovens do cajueiro.
 Aparício, assim conhecido,sentia no rosto o frescor da chuva que se aproximava, avivando sua alma. Desfrutando daqueles momentos, espichava o pescoço, deixando molhar os cabelos amassados pelo chapéu de palha, pendurado detrás da porta.
Lá pelas tantas, quando o sono começava piscar os olhos, chega o compadre Zé, montado no seu preferido jumento. Tanto ele quanto o bicho, pareciam pintos na eira da casa. Chovia para ninguém botar defeito.
O compadre Aparício, observando aquela cena, penalizou-se do visitante, dando ordens  à sua mulher:
         -Ó Lucinha, apanha um pedaço de pano, para o nosso compadre se enxugar!
         O dono da casa um tanto preocupado, falou ao visitante:
         -Compadre! Por que vós mercê achou de sair bem no meio da chuva?
         -Meu compadre, vir aqui falar um pouco da vida é uma satisfação, mas a danada da chuva tão aguardada me pegou bem ali na porteira.
         -Pois bem Aparício - Já que você está aqui vamos comer carne do sol com manteiga de garrafa e um belo cuscuz.
.        Na cozinha, o fogão de lenha aquecia o ambiente, panelas fumegavam, o café borbulhava, o leite quente exalava no ar aroma de pureza.
         Lá pras bandas das dez horas o compadre ZÉ afrouxou o cinturão, botou o chapéu na cabeça e disse: Compadre Aparício, eu já me vou.
         - Compadre! A chuva está até passando pro riba da cacimba e você vai sair? Não, não. Vos mercê vai dormir aqui esta noite.
         -O casal preparou a rede para o visitante, que alegremente agradeceu e sumiu.
         Lá pela meia noite, a chuva açoitava o telhado. Aparício ouviu um toc-toc na porta da frente. Ainda deitado disse resmungando:
         - Que diabo está batendo na porta a estas horas?
         Levantou-se e perguntou já de facão na mão:
         - Quem é? Responde do outro lado uma voz até confusa:
         - Sou eu, compadre,o Zé !
         -Meu compadre Zé! O que o senhor está fazendo a estas horas debaixo      dessa chuva, homem de Deus?
         -Ué, o compadre não me convidou para dormir em sua casa?
         -Convidei, sim!
         -Então!
         - Fui buscar o meu pijama...





sábado, 30 de julho de 2011

Tua Presença

TUA PRESENÇA

Nesta manhã banhada de luz, antevejo tua presença;
Qual dourado pincel à debuxar na tela do infinito..., o amor;
Olho para os campos, Tua essência me  ensina e seduz;
Os galhos ressequidos no final da primavera motiva-me a ver-te, quais mãos postas a reverenciar-te
Ou  no  sorriso de uma criança descalça e quase nua;
Vejo-te entre gritos, ou entre os clamores de mera ousadia;
Em tudo vejo que estás -, sem aos menos te ver presente...
Ou entre os livros manchados que passaram de mão em mão;
Ou ainda , no cantar dos pássaros no toque do entardecer,
Vejo-te no pão que me alimenta e no bule quente de todas as manhãs;
Sinto-o na nuvens que vagueiam ao sopro divinal; 
Ou no vento que varre as folhas caídas, a procura da fonte;
Ou no homem sábio que junta- as e vai umedecendo-as com o suor do rosto;
Vejo-te Senhor...  nos campos verdejantes onde a brisa é mansa  e calma;
Ou no trote do quadrúpede transportando uma mãe aflita;
Ou ainda nos cascalhos que deixavam os pés lanhados de um
um velho carpinteiro;
Por tudo isso, sinto Tua presença na imensidão do ar que respiramos;
Ou no grito da ave que em vôos rasantes  apanha a presa;
Ou ainda por entre as entranhas  do meu incansável coração.


30/07/011
Manoel Resende

Tua Preseença

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Elegia de um Guerreiro

Elegia de Um Guerreiro

Saulo...tua túnica manchada torna-se o manto da noite fria;
Suas convicções... fieis ao sinédrio,  de horror vão surgindo;
Debuxando na tela do horror, sua vã, e torpe ousadia;
No sol , na chuva , ao vento  sem rumo – ,divagando  em triste agonia;
Seguistes em lutas.... fieis as leis que tanto estudastes...
Teu porte de atleta, em bigas  entalhadas por hábeis artesãos;
Servia-te  de status,  entre  o sonho e o prazer, ou talvez ilusões;
Nas lidas com os livros, pensavas por  extravagantes caminhos;
Até que um dia;... da torpe jornada, procuravas o nada e nada encontrastes;
Intrépidas visões  maceravam tua alma de dor e de pranto.;
Abigail ...teu encanto-, de deusa menina com  amor te saudava; sem ver  nos teus olhos o brilho esperado...
Na casa do caminho; ouves de Estevão um hino de amor;  que mal entendestes...
Saístes ofegante, o coração fibrilando sem poder respirar ;
Colhestes em cartas, um salvo –conduta para saldar tua dor;
Nas noites vazias, ao som do chicote , fostes o feroz feitor...
Dos pobres famintos , ao zunir  do chanfalho...em corpos lanhados , vertendo o vermelho ... nos becos da dor...
Tua alma teimosa quais espinhos latentes; ferindo os cristãos...
No centro da praça-, em meio as tormentas das pedras atiradas;
Num corpo desnudo , olhar no horizonte em forma de luz...
Estêvão dizia, entre os dentes quebrados , o corpo ferido e um aceno de amor,” não lhe imputes esta pena... querido Senhor”!
Uma voz feminina em prantos ardentes ,ante o sol escaldante
estalando o chão.
Dos lábios da deusa, ao Saulo dizendo...Esse... ,é o meu querido irmão...

Manoel Resende
17/07/2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

AQUELE QUE SEGUE

Sou aquele que segue apesar das tristezas e lutas;
Sou o passo que apressa e tem  pressa em chegar;
Sou o sonho dos dias nos dias que passam;
Sou franco e leal nas lidas da vida e alem muito mais;
Sou o timbre do sino percorrendo os caminhos;
Sou a ponta do galho ao peso do  pássaro;
Sou o mais ousado a buscar-te por toda parte;
Sou a gota de orvalho a escorrer pelo caule;
Sou da terra que brota a semente adubada;
Sou riacho que chora ao encontro do mar;
Sou a onda bendita que quebra na praia em noite de lua;
Sou o remo que verga na força do impulso  por calosas mãos;
Sou o vento que passa agitando as pandas que o sol desbotou;
Sou forte ante o  avanço da colheita das flores  na primavera;
Sou o que te reverencio ao sabor do vento em contida oração;
Sou fera ferida dormindo ao relento dominando os instintos;
Sou pó de madeira que ao sopro do vento se esvai no alem;
Sou  eu a brandir a enxó, no rumo do prumo, que  alisa e apruma;
Sou ave fagueira chilrando pro bando no anoitecer;
Sou o pé da brauna  onde alinho o ninho da ave canora;
Sou a sombra infinita que ao som da gaivota  rever o albatroz;
Sou eu enfim-; que viceja os versos-, na fonte reversa do amor e de luz;
Sou eu que te peço em prantos e preces... ;o teu cajado ...Jesus

14/07/011
Manoel Resende



quinta-feira, 7 de julho de 2011

poesia sempre

Meus poemas são meus cantos aos raiar de novo dia;
Meus versos são meus encantos nos  vários cantos da vida;
Que me embalam nas manhãs; ou mesmo ao cair da tarde...
Simbiose de sentimentos nos lances que a vida oferece...
São pétalas despetaladas que a vida rouba de nós;
Libertadas dos espinhos pontiagudos e traiçoeiros;
Meus poemas são minhas lágrimas; no ribombar de muitas lutas;
São pautas de muitas laudas nas caminhadas da vida;
São raios de luz me guiando num mar de ondas amigas;
Meus versos sobre poemas retemperam minha jornada;
Nos cantos da minha sala; onde o sol brilha de amor;
Quando estou versejando meu coração vai amando
Os que de mim se aproximam;
É como a flor amarela pintada de lindas listras;
Flor silvestre, flor do campo, ou coração de leão;
Orquídeas em taça de vinho feita por Deus com fervor;
Que oferto a que eu amo nestes versos de amor e luz;
Nessa troca de palavras feitinhas dos versos meus;
É o canto que me encanta quando canto em silêncio;                                                     
Revendo na minha mente os mais sagrados momentos;
Meus poemas são meus cantos...
Meus versos são meus encantos...
São pérolas que Deus me Deu...

06/07/2011
Manoel Resende

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Canto da Alma

Sentado..., braços cruzados, mente distante a procura do nada...
Assim deixo que meus pensamentos volitem pelo meu mundo;
Olho o céu a procura de algumas palavras, vejo o sol da manhã;
A beira do caminho, sinto Jesus trabalhando, horas...minutos...e segundos;
Eis que os Teus pés são feitos de luz neste plano de oração...
Onde minha alma desponta nessa imensa caminhada;
Sinto que viajo nas ondas dos imagináveis  clarins do amanhecer;
Ou mesmo nos lampejos de uma fria madrugada;
Percebo tua presença; em meu suspiro de alegria; onde busco o Teu Olhar, na imensidão do universo;
Ou mesmo no sorriso ingênuo da criança ou nos versos de profunda harmonia..
Sinto  no gesto do ancião que vagueia  de pés descalços um tênue pedido por uma côdea de pão; Juntando  folhas ao vento; ou nos cantos das ruas entre lutas que de vão;
Silêncio... ouço aves canoras  de galho em galho anunciando o despertar;
Pasmo; genuflexo...,  de olhar para o alto em sentida oração;
Suspiro a Buscar-te em toda parte...nessa simbiose de ousadia;
Ou na profunda manhã de reflexão;
Meu olhar vagueia por toda parte...nas flores orvalhadas da manhã...ou  na junção das palavras da sublime Ave Maria...
Vejo-te no sorriso desdentado do homem sábio que perambula pela ruas;
Ou ainda nos riachos que deságuam junto ao mar... ou no despertar de mais um dia.

23/06/2010


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Senso de organização
            O senso de organização, o tino comercial e a pouca ganância fez do meu pai o mais generoso comerciante que eu conheci. Vendia fiado, não recebia e continuava vendendo, penalizado do miserável. Seus métodos anticomerciais o levaram à falência. Não uma falência fraudulenta. Simplesmente não conseguia equilibrar as contas. Pagou fornecedores e vendeu mais uma vez os seus pertences.
Eu já contava catorze anos, e mais seis irmãos, sentia na pele o desespero deles e ainda mais destinholado fiquei quando tomei conhecimento que viríamos para São Paulo. Eu já namorava, tinha uma colega de escola que me fazia soluçar a alma. Menina mimosa, jeito fiel, morávamos na mesma rua, filha de socialista, família de amigos nossos. Recebiamos pequenas mesadas para irmos ao circo, ao cinema, aos parques, nas épocas do Natal, Ano Novo, festas juninas e outras que já não lembro. Aos domingos não íamos à missa. Todavia ainda ouço o badalar do sino da igreja chamando os fieis, o repicar projetava sons que incendiavam a alma parecia festival a céu aberto. Os namorados estremeciam as fibras dos corações que a pulsar de amor manifestavam-se, suspirando sentimentos inenarráveis.
O olhar na imensidão do infinito despertava o meu sonho de um jovem que desejava ser padre, mas que percebia o coração ferver todas as vezes que Norma, minha primeira namorada, passava carregando um punhado de livros, era uma deusa em forma de menina.
Não foram poucas às vezes em que, deslumbrado com a sua presença, acompanhava com o olhar os seus passos ritmados e cheios de encanto, sacudindo areia na roda do seu vestido.
Lembranças de uma infância sadia, repleta de atos que somente a vida é capaz de nos ofertar.
Não vivo dependente desses momentos, todavia a lembrança deles me conduz aos estágios das recordações, movendo minha vida, alimentando-me de saudades de um povo sisudo, porém sincero, dos bares e dos cozidos de caranguejos, da conversa atinada e do clima ameno. Das ruas de areia branca e dos domínios quase medievais. Tudo isto é pouco para descrever a minha cidade, aquela que me fez compreender que os fortes vencerão as batalhas sempre com o sentimento de lealdade, como bandeiras trapejantes nos mastros da existência.
Meu pai, fortaleza em forma de pessoa, sensível aos sofrimentos de outrem porem, as impetuosidade dos seus atos custou-lhe vários desconfortos. Algumas vezes enfrentou desavenças inúmeras pelo seu jeito de nordestino que não levava desaforos para casa. Certa ocasião, um cliente queria um quilo de carne seca de uma manta nova exposta no local de venda, Ele recusou-se a atender porque a tal manta era para ser vendida no dia seguinte. Coisas das suas manias. Questionado pela minha mãe encontrava nele uma forte resistência, criando ainda mais obstáculos e perdas de clientes.
Talvez, movido por sentimentos exóticos deixava-se levar por ações descabidas em prejuízo do próprio negócio.
Nas manhãs, quando o sol beijava o morro de areia e ruas estreitas, surgiam por entre as pegadas que o vento não apagava, mulheres carregando sobre a cabeça protegida por ródias, vasilhas de mungunzá (canjica no sul)  vendendo as iguarias saborosas por preços irrisórios. Antes do almoço, lá pelas dez horas vinha um senhor escuro, cor de ébano, carregando um balaio cheio de camarões ainda vivos.
Lembro-me de um ato infantil do meu querido pai, quando mandou confeccionar três ternos para os filhos mais velhos, todos de uma mesa cor e estilo, vestimos porque não poderíamos ter a ousadia de afirmar que não havíamos gostado  e que nos sentíramos amuados. São histórias e uma vida.
Se hoje os filhos do seu Antônio e dona Maria colhem os frutos da lealdade e amor pelo trabalho devem aos dois. Eles foram luzes guiando-nos pelos caminhos da existência.
Minha mãe, aos noventa e cinco anos, ainda comanda suas ações de forma lúcida, parecendo uma  fornalha,  fornecendo energia para todos. Se o meu pai era a locomotiva, que sobre os trilhos da vida conduzia-nos aos caminhos do bem, Dona Maria era o combustível, alimentando-nos dos princípios redentores da trajetória de todos nós.
Devemos aos dois a felicidade do aprendizado, a seriedade o respeito para com todos.
Quando criança, eu; o mais velho- ajudava a pesar mercadorias dos mais variados tipos, aprendi fazer pacotes utilizando papel de embrulho, sentia prazer em ajudar aos meus pais.
Hoje, quando os meus cabelos rareados denunciam um período de maturidade, sinto alegria por um tempo que passou, mas que na minha memória está avivado, denunciando um período de riqueza espiritual.
Que bom seria compreender o mundo de agora carreando para os lares o sentimento de solidariedade sem os traumas da vida sem limites. Pobre sociedade, que pouco-a-pouco vai colhendo os frutos da modernidade sem ter nos recônditos da alma os valores cadenciados de uma era onde o respeito mesmo que amedrontador deixou marcas de amor.
Minha casa, onde eu vivia: Na frente era a mercearia (a bodega do seu Antonio) e nos fundos as várias dependências da moradia, que deixaram em meu ser as marcas de uma época recheada de histórias.
Lá, incrustada no morro do bairro de São Cristóvão, onde o sol e a brisa do mar prazerosamente beijavam as janelas sem vidros, eu e meus irmãos desfrutávamos do presente divino. A vida naquele lugar era um sonho em comparação ao período em que vivíamos na roça.
Pena que o meu pai não era um verdadeiro empreendedor. Sua grande aventura como comerciante era apenas a sobrevivência. A capacidade de organização não lhe concedeu os conhecimentos necessários para um crescimento sustentável.
Ainda tenho saudades das tardes após as obrigações escolares, os jogos de botões, a bola de meia, o  bailar das pipas sob o céu azul e o vento generoso. Do pião feito de goiabeira e das castanhas de caju utilizadas como moedas de apostas. Coisas de crianças, parecendo jovens ou adultos.
Quem não viveu esses momentos não conseguem avaliar o quanto eram saudáveis essas brincadeiras.   
Comparações com os dias de hoje não são possíveis era outra época, outra forma de viver, e a sociedade ainda não estava contaminada pelo vírus da informática.
Lá se foi minha infância, lá se foi uma parte da minha vida recheada de sentimentos que o tempo não apagou e que manteve o sabor de saudades. 
Enquanto escrevo estes relatos volto ao passado, vejo no espelho as marcas do tempo, entretanto sinto na alma os benefícios de uma existência onde os doces das frutas da região deixaram o néctar sublime incrustado em nossas memórias como lembranças de um viver feliz.
                                                                                             
Falar das coisas da vida
Com sentimentos de ternura
Faz crescer o ser para Deus.


Mudança para São Paulo                                     

Chegado o dia da partida, eu, Nilton e o meu pai, enfrentamos doze dias sobre um velho caminhão apinhado de gente. Que loucura!  Muitas estradas de terra e o Estado de Minas Gerais sinuoso, vegetação verde, campos repletos de café, fartura da lavoura rica e promissora. O sol abrasador castigava a lona velha e furada, o calor era infernal, as paradas para tomarmos as refeições eram sujas, os sanitários mais pareciam pocilgas. O caminhão, um Chevrolet cara de sapo com os degraus do inferno (não acredito na sua existência), e os sacolejos, deixavam marcas de dor, era uma aventura quase endemoniada. Que absurdo! Mas era assim que eu pensava.
Nosso destino era a terra da garoa. Compensava o sacrifício. O pouco tempo que nos separava da terra querida e das pessoas eram por demais doloridos. As conversas giravam em torno dos que lá ficaram. Saudades começavam desabrochar em nossas almas, o coração aos borbotões fazia-nos sentir o rosto suado e empoeirado absorver as lágrimas da separação.
Chegamos mais mortos do que vivos. Fomos morar em Santo André. Era mês de novembro, não tínhamos roupa de frio, nem acomodações que pudessem nos abrigar decentemente. Tomamos um susto maior que os solavancos e perigos enfrentados das poeirentas estradas e daquele caminhão miseravelmente velho.
 A saudade de casa, da nossa casa lá no alto do morro da Rua São Cristóvão, da minha namorada Norma, tudo isso se transformava em dores mentais. Olhava o chão, começava a distanciar o pensamento e via escrito naquela terra estranha um que de enigma e saudade que, pouco a pouco, mortificava a alma. Fechava os olhos para não ver o que a mente escrevia naquele espaço. Via outra gente, gente diferente, fala complicada, uma mistura de português com espanhol e outras mais. Continuava pensando.
- Aonde eu vim parar?
Desconfiado, segui adiante, arranjei um trabalho de trocador nos ônibus da Empresa Nossa Senhora Aparecida, do empresário Emílio Guerra. Meu tio e Padrinho Pedro me ajudou.
Naquele tempo, em mil novecentos e cinqüenta e dois, fazia frio, eu trocava o dinheiro dos passageiros e estes decentemente colocavam dentro de uma urna com uma pequena abertura o valor correspondente à passagem, todos faziam isso. Bons tempos. Fomos trabalhando, lutando, o Nilton foi trabalhar numa metalúrgica, fabrica de fechaduras Fama e lá ficou durante quase trinta anos. Meu pai era frentista de um posto de gasolina, e ao chegar à casa minha mãe, que posteriormente viera de avião com os meus demais irmãos, aquecia os pés do nosso velho com pano embebido com água quente.
O Paulo foi engraxar sapatos. Estudou no SENAI tornando-se torneiro mecânico. Tudo isso passamos com heroísmo. Eu me transformei em ajudante de cozinha, depois de passar por tecelagens. Finalmente o meu já velho pai conseguiu um emprego de gerente de uma padaria no largo Treze de Maio, Panificadora 15. A vida melhorava, papai sabia ler, era bom de matemática. Dedicado ao trabalho, ganhou de presente uma casa com quatro cômodos na Rua Intercap, na vila Arriete, onde conseguiu educar os demais filhos:Arnaldo,Djenal, Antonio (filho) e a Enilde.  
Parecia que o ar da metrópole paulista já havia conquistado aqueles nordestinos, sentíamos a brisa leve refrescante das noites, talvez nos aconselhando e embalando-nos nos seus movimentos de gigante brasileiro. Passamos a viver decentemente. Nossa moradia era simples, aconchegante e por isso muitas vezes presenciei os meus velhos verterem lágrimas de felicidades descerem pelas fendas nos rostos cansados. Suas mãos elevadas ao céu pareciam agradecer ao Criador as bênçãos recebidas.
Todos nós agíamos com objetivos únicos de habilmente conquistar esta cidade do planalto de Piratininga, terra de Anchieta berço da garoa e braços acolhedores.
A nossa juventude- fase chamada de adolescência- foi a mais tranqüila possível. Minha mãe e meu Pai nos encaminharam para o bem. Até então não tínhamos religião nenhuma, apenas a certeza de que havia uma força criadora a manejar este universo. Eu carregava dentro de mim uma convicção de que tudo possuía começo, meio e fim. Não aceitava essa história de fim do mundo mesmo porque até hoje aceito a idéia de que “Nada se perde e tudo se transforma”.